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Eu, você e Deus

Hoje tive uma grande decepção! Alguém me censurou por ter certos tipos de amizade que, para alguém, não são sadias ou não são amizades que me levarão muito longe. "Cuidado com aquele tipo de gente..."; "Não sei o que você está fazendo com essa pessoa!"; "Não vejo futuro em você estar com esse povo." 

Esse comportamento, depois que passou a indignação, me fez pensar: Até onde o preconceito afasta as pessoas de novos amigos? Até que ponto a discriminação mudou o sentido genuíno do relacionamento?

"O quê? Eliab é amigo de ateus? Budistas? Espíritas? Homossexuais? Pobres? Políticos?"


Com todo esse medo, toda essa cisma, onde fica a aventura de conhecer pessoas diferentes? Pessoas novas, contrárias, de outra realidade, de outro ângulo? Será que relacionamento é baseado apenas na convivência entre eu e pessoas que me convêm, ou pessoas de "boa índole"? Será que o relacionamento se tornou tão mesquinho a ponto de limitar amizades a pessoas "iguais" a mim?

E o amigo? Onde fica? Será que amigo é apenas aquele cara que gosta de tudo que eu gosto? Amigo é aquele que é considerado uma boa pessoa para o senso comum, é isso? Amigo não é mais aquela pessoa a quem eu me dôo sem esperar algo em troca, mas sim quem vai me trazer uma boa imagem, correto? Não posso ser amigo de ateus porque eles vão pro inferno, não é? Vai que eles me arrastem! Não devo me aproximar de homossexuais porque eles são abomináveis. Até entendo a preocupação da pessoa que me censurou; vai que quando Deus for jogar um raio nos homossexuais eu esteja por perto!

Sociedade, por que você se deixou levar por esse pensamento? Por que você julga as pessoas como más companhias por causa do rótulo que você deu a elas? Você jogou um perfil em determinadas pessoas e, para que eu não descubra que você está mentindo, você me critica por me aproximar dessas pessoas. É como atirar em alguém e atirar também em quem se aproximou desse alguém só porque está próximo. O problema é que eu não me importo de ser atingido. Eu estou disposto a levar os golpes de uma sociedade preconceituosa se isso me conservar uma boa amizade!

Esse episódio me lembrou uma conversa que tive com Mirjam, uma amiga holandesa, ex missionária JOCUM. Lembrei quando ela comentou sobre a vergonha que sentira quando começou um trabalho social com prostitutas. Ela contou sobre os olhares e os comentários que as pessoas começaram a fazer sobre ela por se aproximar das garotas. Ela compartilhou comigo que, no início, se sentia bastante incomodada e envergonhada com essa situação. Comentou até que algumas vezes se pegou pensando: "Poxa, será que eles pensam que eu sou uma delas?". Mirjam diz que conseguiu se livrar disso quando comparou essa situação com a de Cristo. "Cara, Ele vivia com o tipo de gente mais rejeitada daquela época. Você acha que Ele também não pensou a mesma coisa que eu em algum momento? A diferença é que Ele não se importava com o que os outros pensavam a seu respeito".

Aproveito esse pensamento da Mirjam e faço mais um comentário: Talvez Cristo tenha pensado: "Ainda bem que eles me consideram igual aos rejeitados". E eu concordo com Ele, se Ele tivesse dito. Mas mesmo sem Cristo ter dito isso, é assim que eu penso! Prefiro ser considerado igual aos marginalizados, aos excluídos, aos rejeitados; prefiro ser semelhante a eles.

[As palavras em destaque são links] 
Sociedade, você ridiculariza homossexuais (que também atacam seus perseguidores), persegue pessoas de religiões e ideologias diferentes, manipula os relacionamentos, condena prostitutas, destrói dormida de moradores de rua, patrocina o trabalho escravo infantil, você consome violência, imoralidade, você é narcisista, usa a mulher como objeto de prazer, desenvolve mídia ridícula e joga na mente de suas crianças, você destrói casamentos, censura o pensamento livre, você mata seu próximo, rouba seu vizinho, estupra seus filhos, polui o meio em que vive, não ajuda quem precisa de você, você é suja, preconceituosa, infame, doente e ainda se acha no direito de julgar o próximo? Você exclui e discrimina o marginalizado quando deveria ter nojo de quem o excluiu! Você reclama de quem está na lama depois de você tê-lo jogado lá! 

Então disse Jesus aos seus discípulos: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me; pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á."
[Mateus 16: 24 e 25]

 Está aí a solução para consertar essa sociedade despedaçada! 


Neguemos a nós mesmos, aceitemos o outro, abramos mão de nosso conforto para o bem do próximo, neguemos nossa vida para salvar a do nosso irmão, essa é nossa cruz! Amemos o outro a ponto de dar nossa vida por ele; não morrendo, mas no sentido de nossa vida não ser para nos servir, mas para servir o outro. "Mas se eu fizer isso, perderei minha vida!" você dirá. Se você fizer por amor, achá-la-á através de outros. Afinal, se todos fizermos isso, enquanto eu dôo minha vida a alguém, outro alguém estará se doando a mim. Cuidemos uns dos outros! Só precisamos que alguém tome a iniciativa. E, na verdade, alguém já começou esse trabalho: "Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos." [Marcos 10:45]

Perder sua vida por amor a Cristo não é morrer por um sujeito que viveu há 2.000 anos, é viver para a representação dele no próximo! É doar-se à manifestação dele no outro.


"Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me." 
Então os justos lhe responderão, dizendo: "Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?" 
E, respondendo o Rei, lhes dirá: "Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes".
[Mateus 25:35-40]

Perca sua vida por amor ao próximo e você estará fazendo isso a Cristo! Qualquer atitude sua para com o próximo, será para com Cristo. Quer seja alimentando-o, quer seja discriminando-o. Rejeite seu irmão e você estará rejeitando a Deus, abrace-o (por mais que seja diferente), e você estará abraçando Deus.




Abraço,
Eliab Alves Pereira

Amar o próximo sem amor a si mesmo

No que respeitava aos outros, ao mundo em redor, sempre estava fazendo os esforços mais heróicos e sérios para amá-los, para ser justo com eles, para não fazê-los sofrer, pois o "Amarás teu próximo!" estava tão entranhado em sua alma como o odiar-se a si mesmo; assim, toda a sua vida era um exemplo do impossível que é amar o próximo sem amor a si mesmo, de que o desprezo a si mesmo é em tudo semelhante ao acirrado egoísmo e produz afinal o mesmo desespero e horrível isolamento.

Essa é uma observação que o sobrinho da dona da pensão onde está hospedado o Sr. Haller, O lobo da Estepe, faz a respeito do novo hóspede. 

Herman Hesse faz uma brincadeira super inteligente com a frase "Amarás teu próximo como a ti mesmo" usando a frase pela metade e, logo em seguida, usando as palavras "odiar-se a si mesmo". O inteligente dessas colocações é que elas nos fazem, ou me fez, pensar sobre a grande contradição em que nos colocamos ao odiarmos a nós mesmos e, logo depois, tentarmos amar o próximo (como fez o Lobo da Estepe).

Como posso amar o próximo como a mim mesmo se eu vivo buscando em mim coisas que me desaprovam? Se eu busco coisas ruins em mim, como posso buscar o melhor do meu próximo? Se eu me enxergo como um pecador, como posso ver meu próximo de outra forma? Se eu não tenho misericórdia de mim mesmo, terei do meu próximo?

Estou questionando isso pelo fato de ver enraizado na mente de muita gente a ideia de que temos de viver nos culpando e correndo atrás de uma determinada perfeição para que possamos agradar a Deus. Todo dia eu vejo uma pilha de frases pedindo para Deus mostrar o caminho certo a seguir, ou vejo alguém se dizendo imperfeito, pecador, etc. Virou rotina ver pessoas se lamentando por não conseguirem "agradar" a Deus. 

Penso que as pessoas que fazem isso têm em mente a ideia de que se reconhecerem que são pecadoras, Deus vai se sentir tão bem com a "sinceridade" delas que vai perdoá-las de todas as suas dívidas. Claro, elas não pensam exatamente com essas palavras, mas se pararem pra analisar, é exatamente isso que pensam. 

Eu quero chamar a atenção para esse comportamento porque a partir do momento em que você busca apenas o que você tem de ruim para apresentar a Deus como forma de propiciação, você irá fazer o mesmo com o seu próximo; só que ao invés de apresentar como forma de livrá-lo dos seus pecados (como você faz consigo), será para condená-lo.

Já reparou que todo mundo que se acha o santarrão vive se lastimando e dizendo que é falho, imperfeito, pecador, etc? Já reparou também que é justamente esse tipo de gente que mais acha defeito nos outros? É justamente esse tipo de gente que mais julga o próximo! Por que? Porque ele vive buscando defeitos nele mesmo para apresentar a Deus e lamentar sua imperfeição, e isso o leva a achar que, por ser "sincero" ao admitir que é pecador, isso o torna bom aos olhos de Deus. Mas o fato de ele viver buscando erros em si o leva a buscar nos outros também.

Se eu busco apenas o que eu tenho de ruim, ou o que eu considero ruim, com um tempo eu vou começar a me odiar por ser aquilo que sempre vejo em mim. Se eu me odeio, que amor eu terei por mim mesmo para usar como exemplo para amar o próximo? Lembra do mandamento? Amar como a mim mesmo! Se não amo a mim, não amarei o próximo! Qualquer tentativa de amá-lo sem me amar antes será como o Lobo da Estepe: toda a sua vida era um exemplo do impossível que é amar o próximo sem amor a si mesmo.


Se depois de tudo que Cristo fez por mim, eu ainda sou imperfeito, então de que valeu sua morte? Se eu devo correr atrás da minha perfeição, de que valeu o sacrifício de Cristo? Ao se doar no nosso lugar, Cristo nos livrou de toda culpa, de toda imperfeição, de todo pecado. Ele já fez esse esforço por mim. Se eu tentar ser perfeito, eu estou dizendo que o trabalho não foi bem feito. O fato de haver pessoas que vivem buscando a perfeição é porque essas pessoas não têm fé na justificação por meio de Cristo, e se não têm essa fé é porque não conhecem a salvação por meio de Cristo, podem conhecer outra coisa que lhes foi apresentada, mas não a genuína salvação pela Graça. Eu só preciso crer que, por causa de Cristo, eu fui justificado. Eu sou considerado perfeito por causa do que Ele fez por mim. A cultura diz que sou imperfeito, a mídia também diz, a igreja, amigos, família, escola, etc. Mas eu sou imperfeito para um padrão estipulado por eles. E, pra mim, o que importa é o padrão estipulado por Deus. E qual é? 

Assim, com um sacrifício só, ele aperfeiçoou para sempre os que são purificados do pecado. E o Espírito Santo também nos dá o seu testemunho sobre isso. Primeiro ele diz: "Quando esse tempo chegar, diz o Senhor, eu farei com o povo de Israel esta aliança: Porei as minhas leis no coração deles e na mente deles as escreverei." Depois ele diz: "Não lembrarei mais dos seus pecados nem das suas maldades." Assim, quando os pecados são perdoados, já não há mais necessidade de oferta para tirá-los. Por isso, irmãos, por causa da morte de Jesus na cruz nós temos completa liberdade de entrar no Lugar Santíssimo. Por meio da cortina, isto é, por meio do seu próprio corpo, ele nos abriu um caminho novo e vivo. Nós temos um Grande Sacerdote para dirigir a casa de Deus.Portanto, cheguemos perto de Deus com um coração sincero e uma fé firme, com a consciência limpa das nossas culpas e com o corpo lavado com água pura.
[Hebreus 10:14-22] 

Ao me perdoar, ao me justificar, ao me tornar digno de chegar perto dEle, Deus me deu a oportunidade de ver tudo de bom que eu tenho, Ele me deu a oportunidade de ver o mal que havia em mim morrer, Ele permitiu que eu me enxergasse como Ele me enxerga: como alguém que foi consertado por Ele. Dessa forma, não vejo imperfeição em mim, o que vejo é a Graça Divina. Minhas falhas, erros e pecados não me levam a um auto martírio, não mais! 

Agora essas coisas me levam a enxergar a Misericórdia que recebi. E isso me faz perceber que há algo de bom aqui dentro que fez Cristo se entregar por mim. E é esse algo de bom que eu procuro no outro. Dessa forma, o amo como amo a mim mesmo; como alguém que apesar das mancadas, tem algo de especial que chamou a atenção de Deus. Se não me culpo, como posso culpar o outro? 

O motivo que eu tinha para me odiar foi destruído em Cristo. Se eu creio em sua salvação, então não tenho motivos para me odiar, se não tenho motivos para me odiar, não tenho para odiar o outro. Afinal, o que Deus viu em mim, também viu em meu próximo!




Abraço,
Eliab Alves Pereira