AUSÊNCIA

Ela chegou em casa - naquela cabaninha que construiu com seu amor. Um cantinho longe de tudo. Bem no meio da mata. Cercada de árvores, pra guardar as lembranças que só eram deles. A cabaninha era de madeira de carvalho. Carvalho que ficava depois do riacho. E tinha cheiro da chuva que cai de manhã cedinho e molha a grama. 

Já era tarde da noite e era noite chuvosa. Mas ainda dava pra ver um pedacinho da lua. 

Quando ela chegou em casa, não tinha abraço de boas vindas. Só o silêncio passeava pela sala vazia. Havia uma cadeira de balanço no cantinho. Ainda estava balançando...

Estava escuro. Apenas um pouco da luz da lua atravessava a janela de vidro. Era pouca luz pra muita escuridão. Ainda dava pra ver a poeira no ar. A poeira do casaco sacudido de quem saiu. 

E estava frio. Ou seria ausência? Talvez só lembranças! 

Às vezes falta alguém pra dançar no ritmo da tristeza que a gente sente. Às vezes só falta alguém que dê colo para um corpo cansado de tudo. Alguém que entende nosso choro e chora junto. Alguém que silencie os gritos que ouvimos do mundo. Às vezes só falta alguém pra escutar nossa dor. Às vezes só falta alguém que traga um cobertor quentinho pra quem tá chegando da chuva. Alguém que diga que está lá esperando por você.

Às vezes só falta alguém que não era pra faltar. 

Que já está lá...

Mas não está!



ELIAB ALVES PEREIRA

Caminhar


É entre o canto de alegria dos pássaros e o uivo solitário de um lobo 
que se esconde o tesouro enterrado no fundo da bela alma humana. 

De um lado, um abismo profundo; à outra margem, um belo jardim.
A estrada que os divide nos leva até nós! 

O abismo nos ajuda a conhecer nossos demônios;
o jardim, nossas belezas.

O abismo nos mantém acordados,
o jardim nos mantém sonhadores.

O tesouro? Caminhar!

É entre medos e sonhos que descubro quem sou.
Até lá, caminhar!


Eliab Alves Pereira

AS FACES FRÁGEIS DA IDENTIDADE

A noção de pessoa inclui a imagem que temos de nós mesmos. A ideia da nossa identidade, do nosso status na vida, está profundamente enraizada em nossa mente, e influencia de modo constante as nossas relações com os outros. A menor palavra que ameace a imagem que temos de nós mesmos é intolerável, mesmo que não tenhamos o menor problema em ver qualificativo idêntico aplicado a outra pessoa, em circunstâncias diferentes. Se você grita insultos ou bajulações na direção de um rochedo, as palavras ecoam de volta a você, que em nada se afeta com isso. Mas se outra pessoa o insulta com as mesmas palavras, isso lhe traz uma perturbação profunda… Se temos uma imagem forte de nós mesmos, tentaremos nos assegurar de que ela seja reconhecida e aceita. Nada é mais doloroso do que vê-la posta em dúvida.

Mas que valor tem essa identidade? É interessante lembrar que a palavra “personalidade” vem de persona, que significa “máscara” em latim – a máscara através da qual (per) a voz do ator faz ressoar (sonat) sua fala. Mas enquanto o ator sabe que usa uma máscara, nós costumamos esquecer de separar entre o papel que desempenhamos na sociedade e a nossa verdadeira natureza.

Se nos acontece de ter a experiência de encontrar, em países longínquos, pessoas em condições mais ou menos difíceis como uma caminhada na montanha, uma travessia pelo mar, sentimos que nesses dias de aventura partilhada, tudo o que importa é que elas são nossas companheiras de viagem, tendo como bagagem somente as qualidades e os defeitos que manifestam ao longo das peripécias conjuntamente vividas. Pouco importa “quem” elas são, a profissão que exercem, a importância da fortuna que possuem ou a posição que ocupam na sociedade. No entanto, se depois da aventura esses companheiros se reencontram, a espontaneidade muitas vezes desaparece, porque todos recolocam a sua “máscara”, endossam o seu papel e o seu status social de pai de família, pintor de paredes ou dono de indústria. O encanto se rompe, desaparece a espontaneidade. Essa profusão de etiquetas e rótulos distorce os relacionamentos humanos porque, em vez de vivermos os acontecimentos da forma mais sincera possível, comportamo-nos com afetação para preservar a nossa imagem.

Em geral temos medo de lidar com o mundo sem pontos de referência e somos acometidos por vertigens sempre que as máscaras e os epítetos desabam. Se não sou mais músico, escritor, funcionário, educado, bonito ou forte, quem sou eu? No entanto, não portar nenhum rótulo é a melhor garantia de liberdade e a maneira mais flexível, leve e alegre de passar por este mundo. Recusar-se a ser vítima da impostura do ego não nos impede em nada de nutrir uma potente determinação em atingir os objetivos que definimos para nós mesmos e de usufruir a cada instante da riqueza das nossas relações com o mundo e os seres. O efeito, na realidade, é justamente o oposto.

ATRAVÉS DO MURO INVISÍVEL

Como posso utilizar essa análise que vai na direção contrária à das concepções e dos pressupostos ocidentais? Até agora, bem ou mal, funcionei com essa ideia, ainda que vaga, de que existe um eu central. Em que medida essa compreensão da natureza ilusória do ego me coloca diante do risco de mudar as relações com a minha família e com o mundo ao meu redor? Uma virada de cento e oitenta graus como essa não seria desestabilizadora, perturbadora?

A essas perguntas pode-se responder: a experiência mostra que essa virada só fará bem a você. De fato, quando o ego predomina, a mente é como um pássaro que se fere ao chocar-se contra uma vidraça, a da crença nesse ego, confinando nosso universo a limites muito estreitos. Perplexa e atordoada pela barreira, a mente não sabe como atravessá-la. Essa barreira é invisível porque não tem existência verdadeira, não passa de um construto da mente. No entanto, funciona como um muro ao fragmentar o nosso mundo interior e interromper o fluxo do nosso altruísmo e da nossa alegria de viver. Se não tivéssemos fabricado o vidro do ego, esse muro não existiria e não teria nenhuma razão de ser. O apego ao ego está ligado aos sofrimentos que sentimos e aos que infligimos aos outros. Abandonar a fixação na nossa imagem pessoal e deixar de dar tanta importância ao ego significa ganhar uma enorme liberdade interior. Isso permite que abordemos todos os seres e todas as situações com naturalidade, benevolência, força de espírito e serenidade. Não esperando ganhar e sem o temor de perder, somos livres para dar e receber. Não há mais o menor motivo para pensar, falar ou agir de maneira afetada, egoísta ou inapropriada.

Agarrando-nos ao confinado universo do ego, temos a tendência a nos preocupar unicamente conosco. A menor contrariedade nos perturba e nos desencoraja. Somos obcecados pelos nossos sucessos, nossas derrotas, nossas esperanças e nossas inquietudes, sendo assim quase impossível alcançar a felicidade. O mundo estreito do ego é como um copo d’água em que jogamos uma pitada de sal: a água se torna impossível de beber. Se, por outro lado, rompemos as barreiras do ego e a mente se torna como um grande lago, a mesma pitada de sal não altera o seu sabor em absolutamente nada.

Quando o ego deixa de ser considerado como a coisa mais importante do mundo, é muito mais fácil sentirmos interesse por outras pessoas. Perceber os sofrimentos dos outros redobra a nossa coragem e determinação para trabalharmos para o bem deles.

Se o ego constituísse realmente a nossa essência profunda, seria fácil compreender a nossa inquietação diante da ideia de nos livrarmos dele. Mas se ele não é outra coisa senão ilusão, libertar-se do ego não é extirpar o coração do nosso ser, mas simplesmente abrir os olhos.

Assim, vale a pena dedicar alguns momentos da nossa existência para deixar a mente repousar na calma interior, isso permitirá que compreendamos melhor, por meio da análise e da experiência direta, o lugar que o ego ocupa na nossa vida. Enquanto o sentimento de que o ego é importante detiver as rédeas do nosso ser, jamais conheceremos uma paz duradoura. A própria fonte da dor permanecerá intacta no mais profundo de nós e nos privará da mais essencial das liberdades.


Trecho do livro Felicidade A pratica do Bem Estar

Ativistas...

O problema não é você professar a sua fé! O problema é tentar fazer com que todo mundo acredite nela como única verdade e caminho a ser seguido! Por mais que você acredite nisso, quem você pensa que é pra empurrar goela a baixo o que você acredita ser correto? A sociedade realmente precisa se curvar diante do que você pensa? Quem é você?

O problema não é você ser homossexual! O problema é você provocar e desrespeitar a fé ou principios morais de religiosos ou não religiosos! Por mais que você saiba que seu comportamento é normal e queira ser respeitado, quem você pensa que é para exigir mais direitos que todo mundo e provocar as pessoas que discordam de você? A sociedade realmente precisa se curvar diante do que você pensa? Quem é você?

Ativistas religiosos e homoafetivos, o problema não é o que vocês são! O problema é que vocês exigem respeito desrespeitando! O problema é que vocês, diante de suas atitudes extremas, não fazem por merecer o que exigem tanto! 

Quem são vocês?

Vocês se comportam como alguém que pede um copo com água e, antes de beber, jogam a água na cara de quem está pedindo a mesma coisa do outro lado. 

Quem são vocês?

Vocês não percebem que estão sujando suas próprias mãos quando pegam na lama para jogá-la no outro?

Vocês tentam calar o outro para que apenas sua voz seja ouvida. Como o tolo que aumenta sua voz ao invés de melhorar seus argumentos!


Eliab Alves Pereira

Comentário irrelevante sobre a questão do aborto

Sinceramente não tenho posições definidas sobre a temática do aborto, mas estive lendo o blog do Joselito Muller e fiquei intrigado com um texto que, em dado momento, fala "sobre a proposta de reforma do Código Penal, que quer punição mais rígida para quem pescar cetáceos em época de gestação, ao passo que torna o aborto de um ser humano um crime de menor potencial ofensivo, cuja pena máxima seria de dois anos de detenção e jamais teria o condão de colocar ninguém na cadeia."

Presidente Dilma baixa Medida Provisória proibindo blogueiros de mentirem e serem irônicos

A presidente Dilma Rousseff assinou na manhã de hoje (16 de maio de 2013) uma Medida Provisória proibindo o uso de “mentiras, bem como qualquer tipo de astúcia que possa levar o leitor a confundir os sentidos denotativos e conotativos de postagens na internet”.

Segundo informou o site do Planalto, o que motivou a presidente a tomar tal medida, foi a má repercussão do texto do blogueiro Joselito Müller (http://joselitomuller.wordpress.com/2013/05/10/senado-aprova-pagamento-de-bolsa-mensal-de-r-2-00000-para-garotas-de-programa/) no qual afirmava que o Senado havia aprovado pagamento de bolsa mensal de R$ 2.000,00 para garotas de programa.
Na referida postagem, o blogueiro atribuiu a autoria do projeto à senadora Ana Rita, do PT do Espírito Santo, mas depois modificou o nome da suposta autora para “Maria Rita”, que não existe.

Para a presidente, “esse tipo de conteúdo é muito perigoso, pois grande parte da população não sabe diferenciar a ironia da verdade, e pode levar uma camada considerável de brasileiros a repercutirem inverdades”.
A Medida Provisória, que ainda não tem data para entrar em vigor, ressalva que somente os grandes meios de comunicação tem o direito de veicular mentiras nos jornais escritos, televisionados ou por meio de rádio-difusão.


Fonte:

Dicionário feito por crianças revela a adultos um mundo que já esqueceram

Um professor colombiano passou dez anos coletando definições de seus alunos e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo puros, lógicos e reais.

São definições cheia de poesia e sabedoria, apesar da pouca idade de seus autores. Ou talvez por isso mesmo. Vão desde A de adulto (“Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si“, segundo Andrés Felipe Bedoya, de 8 anos), até V de violência (“A parte ruim da paz“, na definição de Sara Martínez, de 7 anos).
O dicionário está no livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, uma obra que surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no final do mês de abril. A surpresa aconteceu especialmente porque o livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano.
“Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas”, disse à BBC MundoJavier Naranjo, que compilou as definições feitas por crianças colombianas.
“Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos”, diz.

É assim que, no peculiar dicionário, a água é uma “transparência que se pode tomar”, um camponês “não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos” e a Colômbia é “uma partida de futebol”.
Além disso, uma das definições de Deus passa a ser “o amor com cabelo grande e poderes”, a escuridão “é como o frescor da noite” e a solidão é a “tristeza que a pessoa tem às vezes”.
‘Outra visão do mundo’
As definições – quase 500, para um total de 133 palavras diferentes – foram compiladas durante um período “entre oito e dez anos”, enquanto Naranjo trabalhava como professor em diversas escolas rurais do Estado de Antioquía, no leste do país.
“Na criação literária fazíamos jogos de palavras, inventávamos histórias. E a gênese do livro é um dos exercícios que fazíamos”, conta ele, que agora é diretor da biblioteca e centro comunitário rural Laboratório do Espírito.
Ele diz que teve a ideia de pedir aos alunos uma definição do que era uma criança, em uma comemoração do dia das crianças.
“Me lembro de uma definição que era: ‘uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo’. Eu adorei, me pareceu perfeita.”
“As crianças escolheram algumas palavras e eu também: palavras que me interessavam, sobre as quais eu me perguntava. Mas não fugi de nenhum”, afirma Naranjo.
No dicionário aparecem temas do cotidiano da Colômbia, como guerra e “desplazado”, pessoa que se desloca pelo país, geralmente fugindo de conflitos. Um dos alunos definiu a palavra criança como “um prejudicado pela violência”.
Confira abaixo algumas definições

Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)
Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)
Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)
Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)
Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)
Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)
Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)
Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)
Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)
Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)
Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)
Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)
Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)
Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)
Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)
Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)
Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)
Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)
Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)
Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)
Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)
Fonte: livro Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças, de Javier Naranjo

Em busca!

Tornei-me incapaz de dar início a um simples texto que compartilhe meus novos pensamentos. Limitei-me a mim! Não consigo superar-me. Ou, talvez, não queira. Sentar na calçada e ouvir bocas reclamando de tudo, falando da mesma coisa com palavras diferentes, cansou minha paciência! Não quero ser só mais uma voz que reclama de tudo. Não quero falar do que todo mundo, um dia, já falou. Não quero me limitar à reproduzir; antes, produzir. Todo dia banho meus olhos com uma imensurável quantidade de lixo informativo. E minha mente seca ao sol da inutilidade desse conteúdo.

Por que as pessoas se prendem tanto a discutir assuntos tão pequenos? Por que elas perdem tempo impondo seus pontos de vistas sobre assuntos que não lhe cabem? Por que sempre falamos sobre as mesmas coisas? Já reclamamos da política, da religião, da sociedade. O que nos falta? Não seria esse o momento de buscarmos novas aventuras? Por que continuar circulando pelo pedacinho de terra que construímos? Por que não sair em busca das índias torcendo para perder-se no mar? 

Temo ficar acomodado à crítica pela crítica. Temo ser como a criança que chora pelo leite hoje, amanhã e depois. Essa vida minúscula e sufocante aperta minha garganta! Quero voar, mas não para outra gaiola! Quero voar fora da asa, como disse o Manoel de Barros. E lá vem eu com a mania de reproduzir! É disso que estou falando...

O que sobrou depois dos filósofos? O que sobrou depois dos compositores? O que sobrou depois de ontem?

O que sobrou foi eco. Busco as paredes que fazem o som repetir-se em várias vozes. Busco destruí-las. Ou escalá-las!



Eliab Alves Pereira

Aos religiosos e homoafetivos

Gostaria da ajuda de vocês para tirar algumas dúvidas que tenho sobre o posicionamento da vertente evangélica em relação a homoafetividade!


Me parece que os ativista religiosos têm bastante interesse pela causa homoafetiva. O que me intriga é que esse interesse revela-se em uma incansável luta pela "cura" das pessoas que compõem a classe homossexual. De certa forma, o esforço empreendido pelos religiosos têm sido caracterizados pela tentativa de mudar, de alguma forma, o jeito de ser dos gays.

Até aí eu entendo o que eles querem. Discordo, mas entendo!

O que me dá nó na cabeça é uma simples pergunta: "Por que?"

Vou ilustrar uma simples situação para que possamos compreender melhor o que se passa na minha cabeça quando me deparo com esse comportamento:

"Um homem está andando pela rua com a mais nova invenção da ciência: comprimidos que curam a homoafetividade. Basta 1 comprimido e o homossexual tranforma-se em heterossexual. Um pouco mais a frente esse homem encontra um homossexual. O que ele faz? Tenta, de todas as formas, 'curar' o gay."

Pergunta: "Por que?"

O que leva um ser humano a impor um mudança a outro ser humano simplesmente pelo fato de acreditar que o outro precisa de sua "solução"?

Sendo assim, o que nos impediria de impor uma suposta cura aos ativista religiosos para o seu comportamento?

Como no conto do sábio chinês, que não sabia se era um sábio chinês que sonhou que era uma borboleta, ou se era uma borboleta sonhando que era um sábio chinês; será que o homossexual precisa da "cura gay" apresentada pelos religiosos ou será que é o religioso que precisa de uma cura para se tornar tolerante? 

O sábio chinês talvez tenha vivido toda a sua vida sem uma resposta para seu enigma, mas acredito que ele nunca tentou transformar a borboleta em sábio chinês. Afinal, ao que parece, ele era sábio!

A questão aqui não é impor um posicionamento ou contar histórias, o ponto máximo aqui é a pergunta: "Quem precisa de cura?"



Eliab Alves Pereira

Poupem-me!

Somos um bando de desenformados falando com a boca cheia de razões que não temos. Razões que caem e sujam nossas roupas "limpas" enquanto regurgitamos nosso moralismo mesquinho aos quatro cantos do mundo! 

Sim, é exatamente isso que estou fazendo agora!

Eliab Alves Pereira