Observação

Estava conversando comigo mesmo esses dias e comentei sobre o poder da influência do sistema religioso na cultura. Pessoas largam costumes culturais, conceitos formados há muito tempo e estilos de vida que não têm mal algum. Tudo isso depois que os navios da igreja desembarcam em um novo território. Vestem os índios, trocam os nomes do divino, desqualificam o que antes era prioridade, apagam o que não compreendem, constroem um prédio, chamam de templo e convidam a todos para sentarem enquanto ouvem Deus falar. Depois disso está tudo bem. Você é um dos salvos!


Isso acontece em qualquer região ou cultura. A força do sistema religioso é tão grande que é capaz de influenciar um povo inteiro a abandonar costumes enraizados em seu DNA em troca de uma salvação.
Quando falo em sistema religioso, você deve entender que me refiro especialmente ao sistema cristão, já que não tenho muitas informações sobre outras religiões. 
O cristianismo conseguiu formar um nome tão poderoso que qualquer atitude, qualquer pergunta ou qualquer crítica que eu ou você jogarmos contra ele vai resultar em várias bocas abertas e olhos arregalados! "Como ele pode dizer isso?"; "Deus tenha misericórdia dessa pessoa por questionar tanto os planos dEle"; "Como assim você não acredita no que o pastor/padre disse?"; "Não questione essa pregação. Esse pregador é um grande homem de Deus!". 


O nome do cristianismo foi, hereticamente, "igualado" ao nome de Deus. Criticar a forma que o cristianismo tomou é comparado a rogar praga contra o nome de Adonai. Questionar as atitudes desse sistema religioso é como questionar os pensamentos do próprio Deus. "Isso é errado, menino! Cale essa boca pra não falar heresia!"
O medo de ser castigado por isso é imenso. Acredito que o "respeito" que a igreja adquiriu foi baseado no medo de você ser jogado no inferno por ir contra o que se prega. É como se você fosse o funcionário de uma empresa e tivesse de defende-la a todo custo, estando certa ou errada, você deveria estar disposto a defende-la a ponto de seu patrão ver e recompensa-lo por isso. Caso contrário, você será demitido. O problema é que você consegue barganhar seu patrão, Deus não!


O cristianismo tem cerca de 2.106.962.000 (dois bilhões cento e seis milhões e novecentos e sessenta e dois mil) adeptos. Cara, isso é cerca de 1/3 da humanidade. Sabe o que é mais curioso? Tudo isso começou com a pregação de 1 cara. Claro, hoje não tem nada a ver com o que ele pregava, mas vamos observar com a ótica de que mesmo assim isso partiu da pregação dele. Me diz uma coisa: Se com a pregação de um homem, 1/3 da humanidade foi alcançada, por que o resto do mundo não foi alcançado com a pregação dos supostos 2.106.962.000 seguidores da religião? Você pode dizer: "Ah, a diferença é que esse cara era o Filho de Deus. Ele tinha bem mais conhecimento do que temos hoje." Eu até aceitaria essa sua resposta se eu estivesse falando de Cristo. Na verdade, quem começou a pregação (direta) do evangelho foi João Batista. Esse cara que eu falei que começou tudo foi João Batista. Então... Ops!
Estou chamando sua atenção para a seguinte questão: se a força da influência da igreja é tão grande e seu ensinamento é realmente baseado no evangelho, o que tem de errado para que o mundo continue o mesmo? Vejamos o continente Africano. O lugar de maior número de missionários. Alguém ai quer morar na África? Um continente super desenvolvido, sem nenhum conflito, corrupção, um lugar super desejado pelo mundo, não é? Todos nós sabemos que não é bem assim. Mas a questão é: O que está sendo pregado lá, então? É realmente o evangelho de transformação e salvação que vemos na bíblia? A África não foi amaldiçoada por Deus (como um pregador disse um dia desses na internet), a maldição da África é a má influência que ela recebeu do sistema religioso. Essa é a hora que você diz: "Você não pode falar isso do cristianismo!" Está bem. Desculpe! Então não leia esse parágrafo, tá?


Vamos terminar logo esse artigo porque eu já estou ficando triste em pensar muito sobre esse assunto. Quero deixar apenas umas questões para você: Se a igreja usasse toda a sua influência para pregar o que João Batista, Cristo e Paulo pregavam, o que aconteceria? Se todo o esforço para mudar o ser humano fosse investido em aceita-lo e ama-lo como ele é, como seria o mundo? Se o que Eliab diz sobre as igrejas é real, a que distância estamos da verdade?
Estamos vivendo um período que comparo com o tempo em que Cristo esteve aqui. Ele foi rejeitado por sua pregação ser totalmente contrária ao conhecimento predominante da época. "Como Ele pode falar dessa forma?" "Com que autoridade Ele expulsa demônios e diz todas essas coisas?"; "Quem Ele pensa que é para perdoar pecados?"; "Ele ensina que a circuncisão não é necessária. Já ouviu tamanha heresia?"; "Ele cura em nome de Belzebu!".


O mais triste de tudo é ver que Cristo destruiu algo que mais tarde foi reconstruído "baseado" no que Ele disse. Foi como se tudo que Ele disse e fez não tivesse servido de nada! E nesse ponto eu lembro do Antigo Testamento. Deus levantava juízes para ajudar Israel e quando a poeira baixava, Israel virava as costas para Deus e voltava a adorar os ídolos que eles construíram para corresponder a seus desejos. 


OBS: Qualquer semelhança é mera coincidência!






Abraço,
Eliab Alves Pereira

O fruto proibido

"De todas árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem o do mal, dessa não comerás, porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." 
 Gênesis 2.16-17

Aprendi que quanto mais se tenta entender a criação lendo Gênesis como um fato histórico, mais longe da verdade ficamos e mais contraditório ele fica. Descobri que muitas histórias da bíblia foram escritas em forma de conto, poema, lenda, parábola, etc. Ao entender isso, percebi que a interpretação de algumas passagens ficam bem mais coerentes e sem nenhuma base para ser atacada. A maioria dessas histórias foram escritas no livro de Gênesis. Moisés, seu escritor, dominava o conhecimento de toda arte egípcia incluindo a literatura e a forma de contar histórias em forma de poemas ou contos populares. O que isso quer dizer? Bem, isso significa que a história de Adão e Eva, por exemplo, está mais para algo "escondido" entre as linhas do que para a forma que nos ensinaram desde criança. Um conto pode ser uma narrativa criativa e detalhada de um fato mas pode ser também uma ficção, uma história contada que tem por objetivo deixar um significado. Assim como Cristo fazia quando contava suas parábolas. Se fossemos estudar suas palavras levando em consideração que elas eram acontecimentos reais, dificilmente entenderíamos seus significados. Quem leu meu conto "Não eram as horas", por exemplo, se for tentar entender levando em consideração o número de passageiros que desceu do ônibus, que subiu, tentar entender porque eu falei sobre o reflexo na janela, etc. Se for levar isso tão a risca, pode deduzir muitos significados e deixar de observar que o conto se trata de apenas de como duas pessoas se conheceram num ônibus e uma se sentiu atraída pela outra.

Da mesma forma aconteceu com a narrativa do Gênesis. As pessoas se prenderam tanto aos detalhes e em levar tanto a risca as palavras a ponto de acreditarem na narrativa dos contos de Gênesis como um fato histórico. O que está narrado na bíblia em seu primeiro livro é verdade? Realmente aconteceu? Bem, isso ai eu já não sei responder. Afinal, esse é o segredo dos contos. Se aconteceu ou não, isso cabe a autor dizer, ou deixar em segredo até o fim dos tempos. Assim como não revelei se o "Não eram as horas" realmente aconteceu ou foi apenas invenção minha.

Bem, agora vamos voltar ao tema principal desse artigo. O fruto do conhecimento do bem e do mal já foi assunto de várias questões e é até, segundo reza a lenda, a referência para a criação do logo da Apple. A maçã mordida simboliza a sede do homem pelo conhecimento. Mas, cá pra nós, o que realmente era o fruto proibido? Foi realmente uma maçã? Ou seria outra fruta? Seria realmente uma fruta ou seria a simbologia de algo? Bem, convido você a viajar um pouquinho aqui comigo. Garanto que vamos descobrir muita coisa no decorrer dessa viagem.

"Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." 
 Gênesis 3.4-5

Acredito que é um tanto irracional acreditar que toda a queda humana foi causada por uma fruta. Nesse caso, uma fruta mágica que fez com que Adão e Eva enxergassem o bem e o mal instantaneamente depois de ter comido.
Bem, imagine a seguinte situação: O pai está brincando com seu filho de 4 anos e, em um determinado momento, a criança bate no rosto do seu pai. O homem chama a atenção do filho e explica que aquilo é errado. O que aconteceu? Você percebe que bater no rosto de alguém não era errado até o momento em que alguém disse que é errado? Instantaneamente os olhos da criança se abriram para enxergar que aquilo é errado. E agora é. E ela será punida, se precisar, por transgredir aquela lei que agora ela conhece.

"Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus;" 
 Gênesis 3.7

Você percebe? Ninguém havia contado a eles que estavam nus e que aquilo era errado. Uma fruta daria esse entendimento? Vamos lá! O que seria a fruta? Você percebe que Deus estava, de certa forma, ensinando ao homem o que é certo e errado? A mulher explicou a serpente que Deus tinha dito que não se deveria comer daquele fruto. Deus já estava dizendo o que é certo e errado, você percebe? Ao dizer que não se deve comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, Deus já está dizendo que é bom obedecer e é ruim comer do fruto. Ele está dizendo que é bom estar vivo e é ruim morrer: "certamente morrerás." 

O objetivo de Deus em criar o homem é de criar um ser que possa, juntamente com Ele, estabelecer O Seu Reino na terra. Cristo falou muito sobre isso quando ainda passeava por aqui. De vez em quando Ele comentava sobre "O Reino de Deus está entre vós", "É chegado o Reino de Deus", "O Reino de Deus está próximo", etc. A intenção de Deus na criação era de criar um ser que Ele pudesse ensina-lo sobre a vida. O que é certo e errado, como educar filhos, amar pessoas, cuidar da natureza, relacionar-se com o/a amante, como viver com Deus, como estabelecer o Reinado de Deus na terra, etc. O erro foi quando o homem resolveu seguir seu caminho sozinho e comeu do fruto.


"Pois quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela lei atuavam em nossos corpos, de forma que dávamos fruto para a morte.Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da lei escrita.Que diremos então? A lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a lei não dissesse: "Não cobiçarás".Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a lei, o pecado está morto.Antes, eu vivia sem a lei, mas quando o mandamento veio, o pecado reviveu, e eu morri.Descobri que o próprio mandamento, destinado a produzir vida, na verdade produziu morte.Pois o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, enganou-me e por meio do mandamento me matou."
Romanos 7:1-11

"pois antes de ser dada a lei, o pecado já estava no mundo. Mas o pecado não é levado em conta quando não existe lei."
Romanos 5:13

Você entendeu? O fruto do conhecimento do bem e do mal é a Lei. E nós comemos dele todo dia!

Pense comigo: Adão vivia sem lei, ou melhor, a única lei era não "comer o fruto", ou seja, não criar leis para viver, apenas confiar que Deus vai ensina-lo a viver independente delas. O "comer" seria a própria questão de o homem se alimentar da lei. Como? Dependendo dela assim como depende da comida. O que nós mais vemos em nossa época? Homossexualismo é certo ou errado? Aborto é certo ou errado? Dirigir alcoolizado é certo ou errado? Não ir a igreja é certo ou errado? Leis, leis, leis. Dúvidas, dúvidas, dúvidas. Por termos virado as costas para Quem responderia a essas questões, nos vimos obrigados a criar leis que possam dar um jeito em nosso mundo. O problema é que quando não é o Criador da vida que te ensina a viver, não serão as leis que o fará. Assim como uma criança cai de uma bicicleta por não esperar as aulas do pai, assim somos nós, tentando encontrar acessórios e todo tipo de meios para andar na bicicleta sem cair e sem a ajuda do pai.

A árvore do conhecimento do bem e do mal é o homem. Paulo disse: "de forma que dávamos fruto para a morte." O homem é a "árvore" que produz conhecimento de certo e errado. O fruto é a lei. A lei produziu morte: "Descobri que o próprio mandamento (lei), destinado a produzir vida, na verdade produziu morte (culpa, vergonha, julgamento)". O homem dá fruto criando leis e esses frutos (leis) produzem morte. Como? A sua consciência vai te julgar por ter transgredido uma lei e esse conhecimento vai te levar para a condenação, que é a morte. Vai te levar para um lugar onde você queira se esconder de Deus. E se você se esconde da Vida, é a penas a morte que te resta. Devemos entender que pecado é tudo aquilo que julgamos ser pecado. Eu não posso ser julgado por uma lei que eu não conhecia. Se eu sei que é pecado matar, eu serei julgado por isso. Mas se a lei de não matar não estiver sobre mim, então eu não posso ser julgado por essa lei. A grande jogada de Deus quando nos apresentou a Graça foi que Ele colocou em nossas mão o direito de julgarmos a nós mesmos. Cristo disse: “Por que vocês não julgam por si mesmos o que é bom?” (Lucas 12:57). Ou seja, tomem pra vocês mesmo o conceito de certo e errado. Mas saibam que vocês serão julgados pelo que acreditam.

"Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me" 
 Gênesis 3:10

O recado de Deus era simples: não comam o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ou seja, não comam de seus próprios frutos. Não produzam leis e vivam delas. Deixem que eu cuido de vocês. Condenamos Adão por seu erro mas cometemos o mesmo erro que ele todo dia. O fruto do conhecimento do bem e do mal não é nada menos que a lei. A lei que criamos para organizar nosso mundo. O problema foi porque o pecado, se aproveitou do conhecimento dessa lei e produziu em nós todo tipo de desejo para burla-la. Assim como a serpente tentou Eva. Você percebe que tudo está ligado? Você percebe que essa descrição é totalmente diferente daquela que tem uma cobra falante, uma mulher feita de uma costela e uma fruta que lasca toda a humanidade? 


"De todas árvore do jardim podes comer livremente (liberdade); mas da árvore do conhecimento do bem o do mal (nós mesmos), dessa não comerás, porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás (criarás leis que te condenarão)."
 "Pois quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela lei atuavam em nossos corpos, de forma que dávamos fruto para a morte."  
"Certamente morrerás": Antes, eu vivia sem a lei, mas quando o mandamento veio, o pecado reviveu, e eu morri. Descobri que o próprio mandamento, destinado a produzir vida, na verdade produziu morte." 
"Pois o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, enganou-me e por meio do mandamento (fruto proibído) me matou."


Todo esse tempo de estudos, buscas e tentativas de defender uma narrativa e no final de tudo você percebe que o fruto proibido é a lei e a árvore do conhecimento do bem e do mal somos nós.

Gênesis nunca mais será o mesmo. Ou melhor, Gênesis voltará a ser o mesmo. Cabe a nós abrir mão do nosso preconceito e orgulho e entrarmos de peito aberto nessa jornada. Quem quer vir comigo?


Abraço,
Eliab Alves Pereira

16/04/2012



A escuridão me basta

Tu não és como o tenho imaginado
Senhor, é quase meia-noite e estou Te esperando na 
escuridão e no grande silêncio.

Lamento todos os meus pecados.

Não me deixe pedir mais do que ficar sentado na escuridão, 
sem acender alguma luz por conta própria, nem me abarrotar 
com os próprios pensamentos para preencher o vazio da 
noite na qual espero por Ti.

Deixa-me virar nada para a luz pálida e fraca dos sentidos, a 
fim de permanecer na doce escuridão da Fé pura.

Quanto ao mundo, deixa-me tornar-me para ele totalmente 
obscuro para sempre.

Que eu possa, deste modo, por esta escuridão, chegar enfim à 
Tua claridade.

Que eu possa, depois de ter me tornado insignificante para o 
mundo, estender-me em direção aos sentidos infinitos, 
contidos em Tua paz e Tua glória.

Tua claridade é minha escuridão. Eu não conheço nada de Ti 
e por mim mesmo nem posso imaginar como fazer para Te 
conhecer.

Se eu te imaginar, estarei errado.

Se Te compreender, estarei enganado.

Se ficar consciente e certo que Te conheço, serei louco.

A escuridão me basta.



Thomas Merton

O grande Milagre

Na história cristã, Deus desce para subir novamente. Ele desce das alturas de sua posição de ser absoluto no tempo e no espaço até a humanidade. Desce mais ainda, caso os estudiosos de embriologia tenham razão, a fim de recapitular no ventre fases antigas e pré-humanas de vida. Desce às próprias raízes da Natureza por Ele criada. Desce, todavia, a fim de subir de novo e erguer  com Ele o mundo arruinado. Isso nos faz pensar na imagem de um homem forte, curvando-se cada vez mais a fim de se colocar debaixo de um fardo enorme e pesado. Ele precisa abaixar-se para poder se levantar e quase desaparecer debaixo do fardo antes de endireitar as costas e seguir adiante com a imensa massa a envergar-lhe os ombros. Pode-se também pensar num mergulhador, primeiro se despindo, depois olhando para o ar e por fim deixando a água verde e cálida e precipitando-se na água negra e fria, cada vez mais para o fundo, sob uma pressão sempre crescente, até chegar à região mórbida de lodo, limo e decadência. A seguir ele sobe, volta à cor e à luz, com os pulmões quase explodindo, até que surge à superfície, tendo nas mãos o objeto precioso, completamente molhado, que foi buscar lá em baixo. Tanto ele quanto o objeto agora possuem colorido, uma vez que voltaram à luz; lá em baixo, contudo, onde jaz a escuridão, ele também havia perdido sua cor.

C.S. Lewis - Milagres. 
(Cap. 14.)

Emocionalismo é...

“Emocionalismo é um estado e uma condição em que as emoções estão descontroladas. As emoções estão no controle. Estão numa espécie de êxtase. E se emocionalismo é ruim, muito pior é a tentativa deliberada de produzi-lo. Portanto, qualquer esforço que deliberadamente tenta estimular as emoções, seja através de cânticos, ou fórmulas, ou qualquer outra coisa, ou, como vemos nos povos primitivos, através de danças e coisas assim – tudo isso, naturalmente é condenado pelo Novo Testamento. Jogar com as emoções é errado. É algo que é condenado através da Bíblia toda. As emoções devem ser constatadas através da compreensão, através da mente, da verdade. E qualquer assalto direto sobre as emoções é, necessariamente falso e inevitavelmente resultará em problemas”


Martin Lloyd-Jones em Avivamento

Salmo do desespero

Certa mulher sofria de uma síndrome rara. Na flor da idade, dores, mal estar, debilitação, passaram a fazer parte do seu cotidiano. Na cabeceira do seu leito de hospital, enfermeiras encontraram um papel amassado. Abriram imaginando tratar-se de alguma receita médica ou talvez alguma correspondência recebida durante o tratamento. Para a surpresa de todos, era um Salmo desesperado:
Hoje quero escrever um Salmo em que derramo todo o meu rancor contra um Deus que nos faz esperar sem necessidade. Deus nos deixa sofrer sem precisão.
Que Deus é esse que se revela conceitualmente, mas não se mostra em um prosaico remédio que cura uma doença banal? Que Deus é esse que se faz carne para revelar seu rosto amoroso, mas não se faz carne para revelar a vacina contra malária. 
Em meu Salmo, digo o que os cantores de Israel nunca tiveram coragem de dizer: fomos criados para a tragédia; nossa breve e estúpida existência não passou de um erro cósmico.
No dia em que o sol explodir e a terra deixar de existir, o universo não sentirá nossa falta. Deus não sentirá falta da humanidade.
Mas nós, desaparecidos e reduzidos a nada, retribuiremos nosso desprezo ao Divino. Nossa não-existência será um tapa na cara de Deus. Nós também não sentiremos sua falta.

As enfermeiras choraram. Mas, nas lágrimas derramadas, jamais se entenderá a angústia de alguém que precisou escrever uma poesia tão dolorida.



Estocado originalmente em http://www.ricardogondim.com.br/poemas/salmo-do-desespero/

A diferença entre Luciano Huck e Deus

Quem já gastou algum tempo assistindo ao programa Caldeirão do Huck certamente já se emocionou ou deu boas risadas acompanhando os diversos quadros da atração global. Com destaque para os quadros copiados de programas norte-americanos, como “Lata Velha” e “Lar Doce Lar”, o paulista Luciano Huck ganha a cada dia status de um excelente empreendedor social, impulsionado também pelo cargo de criador e diretor-presidente do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, uma ONG que promove o desenvolvimento social, profissional e pessoal de jovens por meio do audiovisual.

Sustentabilidade a parte, há algo de cômico e intrigante nos quadros do programa de Huck: a solidariedade barganhadora do apresentador. Funciona assim: “Eu reformo teu carro, mas para isso, você precisa se sujeitar a um número, fazer uma apresentação artística imitando, cantando, dançando, desde Ney Matogrosso até Silvio Santos, e se o público apoiar, aí sim, você terá o seu carro de volta”. Há também atividades lúdicas, com gincanas de escoteiros e coisas do tipo, tudo para obter o fim: a reforma da casa, por exemplo.

Este tipo de programação não só atrai o público como gera receita, como a atração de Huck, que está no mesmo horário do célebre programa do Chacrinha, e é líder de audiência no horário há um bom tempo.

No atual contexto eclesiástico evangélico, enganadamente, acontece quase que da mesma maneira da atração global. Deus, como uma espécie de Luciano Huck, se propõe a fazer favores a nós, e espera que assumamos performances ridículas, como castidades, atos proféticos, práticas religiosas não fundamentadas, “submissão” a líderes inescrupulosos, orações poderosas, campanhas e muitas outras atrações. E na mesma forma que Huck, só recebemos os favores de Deus se formos aprovados pela “plateia eclesiástica”, que inclusive nos aplaudirá caso consigamos cumprir, quesito por quesito, a “prova” proposta. Leso engano.

Enxergo aqui então, uma diferença abismal entre Luciano Huck e Deus. O Deus vivo não espera nada de nós para nos conceder seus favores, por isso tudo quanto recebemos, o recebemos pela graça. Alguns poderiam dizer que Ele espera de nós a fidelidade. Leso engano. Afinal, o que seria de nós se a fidelidade de Deus dependesse da nossa, se em verdade foi por pura obra de amor e misericórdia que ele nos deu vida? Não estaria contraditório à palavra que diz que estávamos mortos em transgressões (Efésios 2)?

Deus é fiel, não ao homem, mas à Ele e principalmente à Sua Palavra, pois garantiu que sempre estaria de braços abertos e amorosos para os receber, e é exatamente por sua fidelidade que a promessa se cumpre.

Ainda assim, outros também poderiam dizer que Ele espera de nós a santidade. Vejam só, a palavra santo, tanto no grego “hágios”, quanto no hebraico “kadosh”, denotam o mesmo significado, “separado” por Deus e para Deus. É Deus que nos separa para nos tornar santos. O tornar santo de Deus significa nos tornar cada dia mais parecidos com Cristo, pequenos cristos, “petrus” (pequenas pedras) da “Petra” (rocha, Cristo). Ora, a santificação vem também de Deus, não de nós.

Por fim, diante disso, alguns de vocês diriam que Deus espera de nós a fé. Mas incrivelmente e paradoxalmente, a fé que temos, que agrada à Deus, vem do próprio Pai, de acordo com Paulo em Efésios 2:8, e através do próprio filho Jesus Cristo, autor e consumador da fé, conforme ressalta o autor de Hebreus no versículo segundo do capítulo doze.

Fujamos todos do humanismo cujo a tônica é dizer que você pode fazer algo para que Deus se lembre de você, pois contrapondo a isso, o cristianismo afirma que você precisa de Deus e não que Deus precisa de você, das suas habilidades, do seu sacrifício, do seu dinheiro, como o humanismo ressalta. Triste e falsa ideia da modernidade.

Deus não é, de fato, o Luciano Huck. No “Caldeirão de Deus”, quem manda é Ele. O favor Dele para conosco, depende somente de sua soberana vontade. Não existe fé, santidade, oração poderosa que faça com que a mão de Deus se mova. A única coisa que faz a mão de Deus se mover é a sua soberana vontade. Ele, que diz “o meu propósito ficará de pé e farei tudo o que me agrada”(Isaías 46:10). Abandone o humanismo e venha conhecer a paradoxal loucura de 1 Corintios 1:18.

Ter isso em mente é simplesmente maravilhoso. Estamos com o Deus que não tem sua vontade manipulada por nós e nem por ninguém, mas faz tudo segundo o conselho da sua soberana vontade. E que além de tudo é um Deus Bom, de Amor e Santo, e que também faz tudo cooperando para o bem daqueles que o amam, e faz infinitamente mais do que pedimos ou pensamos. Loucura, loucura, loucura!


Por Luciano Bruno

Lendas dos Judeus #14 (A alma do homem)


ADÃO: A alma do homem
O cuidado com que Deus moldou cada detalhe do corpo do homem nada é em comparação com sua solicitude na criação da alma humana. A alma do homem foi criada no primeiro dia, pois é o espírito de Deus movendo-se sobre a face das águas. Assim, ao invés de ser o último, o homem é na verdade a primeira obra da criação.
O espírito, ou, para chamá-lo pelo seu nome usual, a alma do homem, possui cinco poderes diferentes. Através de um deles ela escapa do corpo todas as noites, sobe até o céu e ali busca nova vida para o homem.
A ALMA DO HOMEM FOI CRIADA NO PRIMEIRO DIA, POIS É O ESPÍRITO DE DEUS MOVENDO-SE SOBRE A FACE DAS ÁGUAS.
Com a alma de Adão foram criadas as almas de todas gerações de homens. Estão elas armazenadas num prontuário no sétimo dos céus, de onde são retiradas à medida em que são necessárias para cada corpo humano.
A alma e o corpo do homem são unidas da seguinte forma: quando uma mulher concebe, o Anjo da Noite, Lailah, carrega o esperma até a presença de Deus, e Deus decreta que sorte de ser humano sairá dali – se será homem ou mulher, forte ou fraco, rico ou pobre, bonito ou feio, alto ou baixo, magro ou gordo, e quais serão todas as suas outras qualidades. Apenas a piedade e a impiedade são deixadas sob a determinação do próprio homem. Deus estão faz um sinal para o anjo responsável pelas almas e diz:
– Traga-me aquela alma assim-e-assim, que está escondida no Paraíso, cujo nome é assim-e-assim, e cuja forma é assim-e-assim.
O anjo traz a alma designada, que faz uma reverência quando entra na presença de Deus, e prostra-se diante dele. Naquele momento Deus dá a ordem:
– Entre nesse esperma.
A alma abre sua boca e implora:
– Ah, Senhor do mundo, estou muito satisfeita com o mundo em que tenho vivido desde o dia em que me chamaste à existência. Por que desejas agora que eu entre nesse esperma impuro, eu que sou santa e pura, e parte da tua glória?
Deus a consola:
– O mundo em que farei você entrar é melhor do que o mundo em que você tem vivido; quando criei você, foi apenas com esse propósito.
A alma é então forçada a entrar contra à vontade no esperma, e o anjo carrega-a de volta para o útero da mãe. Dois anjos são especificados para cuidarem que a alma não saia dele, nem caia fora dele, e uma luz é colocada acima dela, através da qual a alma pode ver de uma extremidade à outra do mundo.
De manhã um anjo a carrega ao Paraíso e mostra a ela os justos, ali assentados em sua glória, com coroas sobre suas cabeças. O anjo então diz à alma:
– Sabe quem são esses?
Ela responde que não, e o anjo prossegue:
– Esses que você contempla foram formados, como você, no útero da mãe deles. Quando entraram no mundo esses guardaram a Torá de Deus e seus mandamentos, e foram por isso tornados participantes da bem-aventurança de que você os vê agora desfrutar. Saiba que você irá também um dia deixar o mundo lá embaixo, e que se guardar a Torá de Deus será achada digna de sentar-se com esses piedosos. Se não, estará condenada ao outro lugar.
De noite o anjo leva a alma ao inferno, e mostra os pecadores a quem os Anjos da Destruição estão castigando com açoites de fogo. Os pecadores estão todos bradando: “Ai de nós! Ai de nós!”, mas nenhuma misericórdia é concedida a eles. O anjo pergunta como antes:
– Sabe quem são esses?
Como antes a resposta é negativa, e o anjo continua:
– Esses que são consumidos pelo fogo foram criados como você. Quando colocados no mundo eles não guardaram a Torá de Deus e seus mandamentos, e vieram por isso para esta desgraça que você os vê sofrer. Saiba que seu destino também é deixar o mundo. Seja justa, portanto, e não perversa, para que possa ganhar o mundo futuro.
DO MESMO MODO QUE FOI FORMADA CONTRA A VONTADE, VOCÊ AGORA NASCERÁ CONTRA A VONTADE.
Entre a manhã e a noite o anjo carrega a alma de um lugar a outro, mostrando onde ela vai viver e onde vai morrer, o lugar em que será enterrada, e leva-a pelo mundo todo, apontando os justos e os pecadores e todas as coisas. De noite ele a recoloca no útero da mãe, onde ela permanece por nove meses.
Quando chega a hora de emergir do útero para o mundo, o mesmo anjo dirige-se à alma:
– Chegou a hora de você sair para o mundo.
A alma objeta:
– Por que você me quer fazer sair para o mundo?
O anjo responde:
– Saiba que, do mesmo modo que foi formada contra a vontade, você agora nascerá contra a vontade, e contra a vontade morrerá, e contra a vontade prestará contas diante do Rei dos reis, o Santo, bendito seja ele.
A alma está ainda relutante em deixar o seu lugar. O anjo faz um carinho com os dedos nos lábios do nenê, apaga a luz à sua cabeça e a traz para o mundo contra a vontade. Imediatamente a criança esquece tudo que sua alma viu e aprendeu, e vem ao mundo chorando, por ter perdido um lugar de refúgio e segurança e descanso.
Quando chega a hora do homem deixar este mundo o mesmo anjo aparece e pergunta:
– Você me reconhece?
O homem responde:
– Sim, mas por que você veio até mim hoje, e não outro dia?
O anjo diz:
– Para tirá-lo deste mundo, pois a hora da partida chegou.
O homem cai no choro, e sua voz alcança as extremidades do mundo, porém nenhuma criatura ouve a sua voz, com exceção do galo. O homem protesta:
– De dois mundos você me tirou, e para este mundo você me trouxe.
Mas o anjo lembra:
– Eu não lhe disse que você foi formado contra a vontade, nasceu contra a vontade e contra a vontade morreria? Agora, contra a vontade, você terá de prestar contas de si mesmo diante do Santo, bendito seja ele.



Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash(particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.
Tradução: Paulo Brabo

Lendas dos Judeus #13 (A criação de Adão)


ADÃO: A criação de Adão
Quando finalmente o assentimento dos anjos foi dado à criação do homem, Deus disse a Gabriel:
– Vá e me traga poeira dos quatro cantos da terra. Criarei o homem a partir dela.
Gabriel foi cumprir a ordem do Senhor, mas a terra o repeliu, recusando-se a deixar que ele juntasse poeira dela. Gabriel repreendeu:
– Por quê, Terra, você não cede à voz do Senhor, que fundou-a sobre as águas sem recorrer a escoras ou pilares?
A terra respondeu:
– Estou destinada a ser amaldiçoada, e amaldiçoada por causa do homem1. Se o próprio Deus não vier tirar a poeira de mim, não será qualquer outro a fazê-lo.
Quando ouviu isso Deus estendeu sua mão, pegou poeira do chão e criou o primeiro homem a partir dela. Propositalmente esse pó foi tirado dos quatro cantos da terra, para que se um homem do oriente morresse no ocidente, ou um homem do ocidente morresse no oriente, a terra não se recusasse a receber o morto, dizendo para que voltasse ao lugar de onde havia sido tirado. Quando acontece de um homem morrer, e no local em que é enterrado, ali retorna ele à terra da qual foi gerado. A poeira era além disso de várias cores: vermelha, negra, branca e verde – vermelha para o sangue, negra para as entranhas, branca para os ossos e veias e verde para a pele pálida.
Neste momento a Torá interferiu, dirigindo-se a Deus:
– Ó, Senhor do mundo! O mundo é teu, e podes fazer dele o que parecer bom a teus olhos. Porém o homem que estás agora criando será parco em dias e pleno de conflito e de pecado. Se não é teu propósito ter longanimidade e paciência para com ele, melhor seria não chamá-lo á existência.
Deus respondeu:
– É por acaso que sou chamado de longânimo e misericordioso2?
A graça e a ternura de Deus revelaram-se de forma particular no fato dele ter retirado um punhado de poeira do lugar onde mais tarde se ergueria um altar, dizendo:
– Farei o homem a partir deste lugar de reconciliação, para que ele possa perdurar.
Photo by Iain R
Escultura: Ron Mueck
1 Gênesis 3:17
2 Êxodo 34:5,6





Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash(particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.
Tradução: Paulo Brabo

Lendas dos Judeus #12 (Os anjos e a criação do homem)


ADÃO: Os anjos e a criação do homem
Deus em sua sabedoria, tendo decidido criar o homem, pediu o conselho de todos a seu redor antes de levar a cabo seu propósito – exemplo para que o homem, não importa quão grande e notável seja, não despreze o conselho dos humildes e fracos. Primeiro Deus chamou o céu e a terra, depois todas as coisas criadas, e por último os anjos.
Os anjos não estavam todos de acordo. O anjo do Amor era a favor da criação do homem, porque ele seria afetuoso e amoroso, mas o anjo da Verdade se opunha, porque ele seria cheio de mentiras. E, embora o anjo da Justiça fosse a favor, porque ele praticaria a justiça, o anjo da Paz se opunha, porque ele seria contencioso.
A fim de invalidar o seu protesto, Deus atirou o anjo da Verdade do céu contra a terra, e quando os outros bradaram em protesto contra tratamento tão injurioso, Deus disse: “A verdade brotará da terra1”.
As objeções dos anjos teriam sido muito mais veementes se eles tivessem conhecido a verdade a respeito do homem. Deus havia lhes contado apenas sobre os piedosos, ocultando deles que haveria no gênero humano gente reprovável. Ainda assim, embora conhecessem apenas metade da verdade, os anjos puseram-se a clamar:
– Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites2?
Deus respondeu:
– As aves do céu e os peixes do mar, para que foram criados? De que serve uma dispensa cheia de delícias finas, se não há convidado para desfrutar delas?
E os anjos só puderam exclamar:
– Ó Senhor, nosso Senhor, quão admirável é teu nome em toda a terra! Faze como é agradável a teus olhos.
Para um número não insiginificante de anjos sua oposição trouxe conseqüências fatais. Quando Deus convocou o grupo sob a liderança do arcanjo Miguel e perguntou-lhes sua opinião sobre o homem, eles responderam com desdém:
– Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?
Deus estendeu imediatamente o seu dedo mínimo, e todos foram consumidos pelo fogo exceto seu líder, Miguel. O mesmo destino sobreveio ao grupo sob a liderança do arcanjo Gabriel; apenas ele foi salvo da destruição.
O terceiro grupo consultado era comandado pelo arcanjo Labiel. Ensinado pela terrível sina de seus predecessores, ele advertiu sua tropa:
– Vocês viram que infortúnio recaiu sobre os anjos que disseram “que é o homem, que dele te lembres?” Cuidemos para não fazermos o mesmo, para que não soframos a mesma dura punição. Pois Deus não deixará de fazer no fim o que planejou. É aconselhável portanto que cedamos a seus desejos.
Assim advertidos, os anjos disseram:
– Senhor do mundo, é bom que pensaste em criar o homem. Cria-o deveras de acordo com a tua vontade. Quanto a nós, seremos assistentes e ministros dele.
Por causa disso Deus mudou o nome de Labiel para Rafael, o Resgatador, porque sua hoste de anjos foi resgatada pelo sábio conselho. Ele foi designado como anjo da Cura, que tem sob seu cuidado todos os remédios celestiais, arquétipos dos remédios utilizados na terra.
* * *
1 Salmo 85:11
2 Salmo 8:4







Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash(particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.
Tradução: Paulo Brabo