A canção das mágoas

Lá fora o céu chora. Talvez por perder suas delicadas gotas d`água para uma terra seca de amor. 

Dá pra perceber no estalar dos pingos.

Eles gritam!

Toda grande tempestade começa com uma gota!

O céu chora, os pingos gritam, e a maioria das pessoas está dormindo. A canção das mágoas não incomoda os dormentes. O silêncio do sono tapa os ouvidos para não ouvir o clamor lá fora. Pingo a pingo a sintonia é formada dando ritmo a mudez da noite chuvosa.

Da noite que o céu chora. E os homens dormem.

Noite de chuva serve para lembrar que falta algo. O vento frio traz melancolia do horizonte escuro. E junto com ele vem a sensação de saudade, de que precisamos estar com alguém para esquentar o corpo. O que falta é quem faz a terra ser fértil; é quem cessaria o choro do céu; quem faria os pingos se calarem; é quem acordaria os homens.

O que falta é amor como ele é. Não como frases e desejos, não como sentimentos ou necessidades, mas de forma sincera, prática, independente de afetividade, distância e aparência. O que falta, nas noites de chuva, é amor por amar. Lembrar do outro não como objeto de auto satisfação, mas como o outro que também tem frio, que também está só, que também acordou com o choro dos pingos. 

Quem falta pra acabar com a solidão trazida pela chuva é o amor plantado, praticado, semeado. Aquele que cresce com as lágrimas do céu. Aquele que faz os gritos dos pingos de chuva se transformarem em louvores. Aquele que abre um sorriso no céu com raios e espera que ele grite com trovões, trovões que acordam os homens, homens que escrevem cânticos, que olham pela janela e vêem, no meio da escuridão, a claridade da nova colheita.

E o jardim brotará depois de uma tempestade durante a noite. Tempestade que acordou os homens para verem as mudanças. Os gritos lacrimais do céu e da chuva em um deserto de desamor transformam-se em cânticos e ritmos de dança em um jardim cultivado pelo choro dos que estavam acordados enquanto a maioria dormia.

Todo belo jardim já passou uma noite na chuva.

Que esse jardim não seja desmatado assim como os outros. Se for, ao morrer, ele ceifará o homem. Ele destruirá seu destruidor. Ele porá fim aos doentes que dormem, aos que não cuidaram dele. Esse jardim será cultivado na alma do homem. Se destruído, destruirá seu jardineiro infiel. 

Que aprendamos a cultivar nossa alma, plantar em outros jardins e germinar nosso eu no outro. Assim, toda chuva é motivo para dançar, toda gota alimentará uma semente, e todo homem acordará para semear. Semeando o amor, semeando seu eu no próximo. Toda chuva alimentará isso. E os gritos das gotas, o choro do céu e a dormência dos homens não passarão de sonhos ruins numa noite fria.

No fim, todos perceberão que uma grande tempestade é necessária para despertar grandes homens.



Abraço,
Eliab Alves Pereira



Rumores selvagens

O que o homem não possui em sua condição natural, é a vida espiritual - a espécie mais elevada e diferente de vida existente em Deus. Nós usamos a palavra vida para ambas. Porém, ao pensar que são a mesma coisa seria como achar que a "grandeza" do espaço fosse igual a "grandeza" de Deus. Na realidade, a diferença entre a vida biológica e a espiritual é tão importante que eu lhes darei dois nomes distintos. A vida biológica que recebemos pela natureza, e que (como todas as coisas da natureza) está sempre tendendo à decadência, de modo que só pode ser preservada por meios de subsídios constantes da própria natureza na forma de ar, água, comida, etc., eu chamo de Bios. A vida espiritual que se encontra em Deus desde toda a eternidade, e que fez todo o universo natural, dou o nome de Zoe. Certamente Bios tem certa uma semelhança longínqua e simbólica com Zoe - o mesmo tipo de semelhança que há entre uma foto e um lugar, ou entre uma estátua e uma pessoa. Uma pessoa que tenha passado de Bios para Zoe passou por uma mudança tão grande quanto uma estátua que tivesse deixado de ser pedra esculpida para se tornar um ser humano real.

E isso é precisamente o que é o cristianismo. Este mundo é o ateliê de um grande escultor. Nós somos as estátuas e há rumores no ateliê de que alguns de nós, um dia, vamos receber vida.



C.S. Lewis

O Bom Travesti

E perguntaram a Jesus: “Quem é o meu próximo?“ E ele lhes contou a seguinte parábola: 

Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: “Vá passando a carteira“. O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão. Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: “Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você.“ Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: “Ego te absolvo...“ Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião. 

Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: “Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!“ O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, “aleluia!“ e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma. 

Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: “Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir.“ Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma. 

O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido. 

Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou: “Quem foi o próximo do homem ferido?“ 



(Correio Popular, 21 de julho de 2002)

Série de Encontros sobre PERDÃO



Ei, se liga só nas informações adicionais para não ficar por fora dos encontros:

Sobre o transporte: Nós iremos providenciar os transportes para levar todo mundo até lá. Se alguém tem carro e deseja ajudar levando algumas pessoas, sua ajuda será muito bem vinda.
Ponto de encontro: Estaremos saindo 30 minutos antes do horário marcado para cada dia. Nosso ponto de encontro é a Praça do Centro de Goianinha (aquela em frente a Igreja Católica). Não esqueça: SAIREMOS 30 minutos antes do horário marcado. No dia 26 sairemos às 17h30; No dia 27, às 17h30 e no dia 28, às 16h30. Não se atrase ou perderá o transporte.

Alimentação: No dia 26 a ideia é compartilhar alimentos de diversos tipos. Cada um leva o que achar necessário e suficiente para compartilhar: Salgados, Doces, Refrigerantes, etc. Não vamos estipular uma quantidade ou quais alimentos serão. Cabe a cada um decidir e pensar no próximo antes de fazer sua escolha. 
No dia 27, a ideia é fazer uma sorvetada. Então, para não haver muita mistura de sorvetes, sabores, etc., achamos melhor que cada um de nós deve contribuir com um valor para que a equipe de organização compre os sorvetes e se encarregue de levar até o local.
No dia 28, iremos fazer um churrasco. A proposta é que, assim como no dia da sorvetada, cada um de nós deve contribuir com um valor para a compra da carne, refrigerante, material, etc.

Nós estipulamos um valor de R$ 10,00. Se cada participante contribuir com essa quantia, conseguiremos comprar os sorvetes e fazer o churrasco.

Não esqueça, você tem bastante tempo para se organizar e deixar tudo pronto para ir aos encontros. Não vai deixar tudo pra última hora, não é?

Precisamos que você confirme presença até o dia 22 de Julho (é um domingo). O pagamento também será até o dia 22 (sem mais). Você pode confirmar sua presença deixando um comentário aqui. Quanto ao dinheiro, você entra em contato com Eliab (084) 9110-5204 ou (084) 9908-3221 e resolve com ele.

Se tiver alguma dúvida é só comentar que responderemos assim que der. 
Se esquecemos de comentar sobre alguma coisa a mais e lembrarmos depois, voltaremos pra atualizar.

Série: Mexendo nas bases (Parte 1)

Você conhece um jogo chamado Jenga? Jenga é jogado com 54 blocos de madeira. Os blocos são empilhados em uma torre, cujos andares são compostos de três blocos adjacentes pelos seus lados mais longos; cada um dos dezoito andares é perpendicular ao anterior. Uma vez que a torre tenha sido construída, o construtor deve iniciar o jogo. Uma jogada consiste em retirar um e apenas um bloco de qualquer andar que não esteja logo abaixo do andar incompleto mais alto. O bloco retirado deve ser posto no topo da torre, de modo que os blocos formem novos andares. Em Jenga, os jogadores se revezam para remover blocos de uma torre, equilibrando-os em cima, criando uma estrutura cada vez maior e mais instável à medida que o jogo progride. O jogo termina quando uma peça cai da torre, com exceção da peça que se está sendo removida. O perdedor é a pessoa que derrubou a torre (ou seja, cujo turno foi aquele em que a torre caiu).

Chamo de "Metodologia Jenga" a forma que uso para criar meus argumentos e melhorá-los. Também uso da mesma estratégia para contra-argumentar alguém ou até mesmo para ajudar outra pessoa a melhorar seus argumentos. Pensar em algo e depois tentar desconstruí-lo tirando peça por peça para ver até onde ele suporta é bastante prazeroso e terapêutico para mim. Além disso, ao mexer com a estrutura de um pensamento você tem outras possibilidades de encaixar novas ideias onde você alterou algo. É tudo uma questão de encaixe, calma e loucura! Mas o que me deixa mais fascinado, tanto no Jenga quanto na Metodologia Jenga, é a ideia de sempre cuidar das bases para que não seja comprometida toda a estrutura construída. 

Assim como no Jenga, muitas vezes nós preferimos remodelar a estrutura reencaixando pedaços, tirando de um lugar para preencher outro, repondo os espaços vazios, etc., fazemos todo tipo de esforço para evitar que tenhamos de reconstruir do zero uma nova torre. Vale tudo, menos deixar a torre cair nos levando a observar o jogo por uma nova perspectiva tentando reconstruir a torre e voltar a jogar de uma forma mais cuidadosa e com mais experiência.

É assim que basearemos essa série "Mexendo nas bases" (dividida em 4 posts). Utilizarei alguns argumentos do Nietzsche sobre o cristianismo. Ele argumenta contra coisas que constroem a base do Cristianismo do tipo: Salvação, Pecado, Sacerdote, Deus, Graça, Escrituras, etc. Essa série é apenas para os corajosos que se aventuram por caminhos turbulentos e difíceis. Mas quem tem costume de andar assim, sabe o quanto é prazeroso no final.


O propósito dessa série é analisar o que é a base da nossa crença. São conceitos impostos por outros ou é o relacionamento entre Mim e Deus? O que sustenta minha fé é o que Paulo disse? É o que a bíblia fala? É a promessa de um Céu? Ou é o meu relacionamento com Deus independente disso? 


Estranho? Não. Desafiador!




Clique aqui para ver a segunda parte da série.





Série: Mexendo nas bases (Parte 2)


A Wikipédia diz que O Anticristo - Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist. Fluch auf das Christentum, setembro 1888) - Apesar de apontar Cristo, mesmo em sua concepção "própria", como sintoma de uma decadência análoga à que possibilitou o surgimento do Budismo, nesta obra Nietzsche dirige suas críticas mais agudas a Paulo de Tarso, o codificador do cristianismo e fundador da Igreja. Acusa-o de deturpar o ensinamento de seu mestre — pregador da salvação no agora deste mundo, realizada nele mesmo e não em promessas de um Além — forjando o mundo de Deus como a cima e além deste mundo. "O único cristão morreu na cruz", como diz no livro que seria o início de uma obra maior a que deu sucessivamente os títulos de Vontade de Poder e Transmutação de Todos os Valores: uma grande composição sinótica da qual restam apenas meras peças (O AnticristoO Crepúsculo dos Ídolos e oNietzsche contra Wagner) não menos brilhantes que a restante obra.  

No prólogo Nietzsche diz que "Este livro pertence aos homens mais raros. Talvez nenhum deles sequer esteja vivo. É possível que se encontrem entre aqueles que compreendem o meu “Zaratustra”: como eu poderia misturar−me àqueles aos quais se presta ouvidos atualmente? – Somente os dias vindouros me pertencem. Alguns homens nascem póstumos."

A palavras a seguir foram retiradas do livro "O Anticristo" escrito em 1888 pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche:


O que é bom? - Tudo aquilo que desperta no homem o sentimento de poder, a vontade de poder, o próprio poder.
O que é mau? - Tudo o que nasce da fraqueza.
O que é a felicidade? - A sensação de que o poder cresce, de que uma resistência foi vencida. 
(...)
O cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco, baixo, incapaz, e transformou em um ideal a oposição aos instintos de conservação da vida saudável; e até corrompeu a faculdade daquelas naturezas intelectualmente poderosas, ensinando que os valores superiores do intelecto não passam de pecados, desvios e tentações. O mais lamentável exemplo: a concepção de Pascal, que julgava estar a sua razão corrompida pelo pecado original; estava corrompida sim, mas pelo seu cristianismo!
(...)
Às vezes, ela (a piedade) pode conduzir a um total sacrifício da vida e da energia vital - uma perda totalmente desproporcional diante da magnitude da causa (o exemplo da morte do Nazareno). A piedade opõe-se completamente à lei da evolução, lei da seleção natural. Ela luta ao lado dos condenados pela vida. A humanidade aprendeu a chamar a piedade de virtude, quando em todo o sistema moral superior ela é considerada como uma fraqueza.
(...)
Esse envenenamento estende-se muito além do que se imagina: encontrei o instinto de presunção, próprio dos teólogos, por toda parte onde, nos nossos dias, há alguém que se sente "idealista" - por toda parte onde há alguém que se arroga, em virtude de uma origem mais elevada, o direito de olhar para a realidade com superior indiferença... O idealista, tal como o padre, tem na mão todas as grandes noções (e não só na mão!) e lança-as com um benévolo desprezo contra o "intelecto", os "sentidos", as "honras", o "conforto", a "ciência"; vê tais coisas abaixo de si como forças perniciosas e sedutoras, acima das quais "o espírito" plana, numa abstração pura, como se a humildade, a castidade, a pobreza, numa palavra, a santidade, não tivessem causado até hoje infinitamente mais prejuízo à vida que qualquer horror, qualquer vício... O puro espírito, eis a pura mentira... Enquanto o padre passar por ser superior - o padre, esse caluniador, esse envenenador da vida por profissão - não haverá resposta para a pergunta: O que é a verdade? A verdade já foi posta ao contrário quando o advogado voluntário do nada e da negação (Cristo) foi considerado como o representante da "verdade". Um povo que ainda acredita em si possui, além disso, um Deus que lhe é próprio. Venera esse Deus as condições que o tornam vitorioso, as suas virtudes - projeta a sensação de prazer que a si próprio se causa, o seu sentimento de poder, num ser a quem por isso pode agradecer. Quem é rico, oferece-Lhe o que tem; um povo orgulhoso necessita de um Deus a quem possa fazer sacrifícios. A religião é, nestas condições, uma forma de agradecimento. E um agradecimento a si mesmo: para isso se precisa de um Deus. Tal Deus deve poder servir e prejudicar, deve poder ser amigo e inimigo; e dever-se-á admirá-lo tanto no bem como no mal. A castração antinatural de um Deus para o converter num Deus unicamente do bem seria, neste caso, totalmente indesejável. Tanta necessidade se tem de Deus mau como de Deus bom.
(...)
O que é cristão é um certo instinto de crueldade para consigo e para com os outros; o ódio aos que pensam de maneira diferente; a vontade de perseguir. (...) O que é cristão é o ódio de morte contra os senhores da terra, contra os "nobres" - e ao mesmo tempo uma rivalidade secreta, incofessada (deixa-se-lhes o "corpo", quer-se apenas a "alma"...). O que é cristão é o ódio contra o espírito, contra o orgulho, a coragem, a liberdade, a libertinagem do espírito; o que é cristão é o ódio contra os sentidos, contra a alegria dos sentidos, contra a alegria em geral...
(...)
Para dominar os bárbaros, o cristianismo tinha necessidade de conceitos e valores bárbaros, daí o sacrifício do primogênito, a ingestão de sangue na comunhão, o desprezo pelo espírito e pela cultura; a tortura sob todas as suas formas, corporal e espiritual; a grande pompa do culto. (...) O cristianismo pretende dominar homens ferozes; o meio de o conseguir é torná-los doentes - o enfraquecimento é a receita cristã para a domesticação, para a "civilização". (...) para o bárbaro, sofrer, em si, nada tem de digno, muito pelo contrário: necessita previamente de uma explicação para poder confessar a si próprio o fato de sofrer (o seu instinto leva-o a negar o sofrimento e a suportá-lo silenciosamente). Neste caso, a palavra "Diabo" foi uma bênção: enfrentava-se um inimigo todo poderoso e terrível: não havia nada de vergonhoso em sofrer nas mãos de um tal inimigo.
(...)
Para poder dizer "não" a tudo o que representa o movimento ascendente da vida sobre a Terra, o crescimento, o poder, a beleza, a auto-afirmação, era necessário que o instinto de ressentimento convertido em gênio fabricasse para si próprio um outro mundo, onde essa afirmação da vida fosse considerada o mal, o reprovável por si.
(...)
Para o tipo de homens que no judaísmo e no cristianismo aspiram ao poder, a decadência é um estado sacerdotal, unicamente um meio: é interesse vital dessa classe de homens tornar a humanidade doente e perverter as noções de "bem" e de "mal", de "verdadeiro" e de "falso" num sentido mortal para a vida e infamante para o mundo.
(...)
Que significa a "ordem moral universal"? Que existe, sem qualquer dúvida, uma vontade de Deus, que decide tudo o que o homem deve ou não fazer; que o valor de um povo ou de um indivíduo se gradua segundo a sua maior ou menor obediência à vontade de Deus; que nos destinos de um povo ou de um indivíduo mostra-se dominante a vontade divina que castiga ou recompensa segundo o grau de obediência. (...) o sacerdote, abusa do nome de Deus; chama "reino de Deus" a um estado de sociedade no qual é ele quem fixa os valores; chama "vontade de Deus" aos meios que emprega para alcançar ou manter tal situação; com cinismo glacial, valoriza os povos, as épocas, os indivíduos, conforme foram úteis ou resistiram à preponderância sacerdotal.
(...)
Ainda mais um passo: a "vontade de Deus", isto é, as condições de conservação do poder do sacerdote, deve ser conhecida – para tal propósito precisa-se de uma "revelação". Em vernáculo: torna-se necessária uma grande falsificação literária, descobre-se uma "Sagrada Escritura" – torna-se pública com toda a pompa hierática, com jejuns e lamentações por causa do longo "pecado". A "vontade de Deus" estava de há muito determinada: todo o mal residia no alheamento em relação à "Sagrada Escritura"... Já a Moisés fora revelada a "vontade de Deus"... Que sucedera? O sacerdote, com rigor, com pedantismo, formulara de uma vez por todas os grandes e pequenos tributos que se lhe hão-de pagar (não esquecer os mais saborosos pedaços de carne: com efeito, o sacerdote é um devorador de bife), o que ele quer ter, "o que é a vontade de Deus"... Doravante, todas as coisas da vida se encontram de tal modo ordenadas que o sacerdote é por toda a parte indispensável; em todas as ocorrências naturais da vida, no nascimento, no casamento, na doença, na morte, para não falar já do sacrifício ("a ceia"), aparece o santo parasita, para os desnaturalizar: na sua linguagem, para os "santificar"... Importa, pois, compreender isto: todo o costume natural, toda a instituição natural (o Estado, a justiça, o casamento, a assistência prestada aos doentes e aos pobres), toda a exigência inspirada pelo instinto da vida, em suma, tudo o que tem o seu valor em si é transformado, graças ao parasitismo do sacerdote (ou da "ordem moral do mundo"), em algo de fundamentalmente sem valor e contrário ao valor: necessita- se subsequentemente de uma sanção – torna-se imperativo um poder outorgante de valor; que negue nele a natureza e crie assim por isso mesmo um valor... O sacerdote desvaloriza, profana a Natureza: é a esse preço que ele em geral subsiste. A desobediência a Deus, isto é, ao sacerdote, à "lei", recebe agora o nome de "pecado"; os meios para de novo se "reconciliar com Deus" são, como é justo, meios com que se garante ainda mais profundamente a sujeição ao sacerdote: só o sacerdote "salva"... O medo da dor, ainda que da dor infinitamente pequena, não pode acabar de outro modo que não seja numa religião do amor...
(...)
E, contudo, o cristianismo deve a sua vitória a essa lastimável bajulação da vaidade pessoal - por esse meio atraiu tudo quanto estava falido, instintos sediciosos, mal equilibrados, aqueles sucumbidos pelo mal e a escória da humanidade.





Série: Mexendo nas bases (Parte 3)


Nietzsche começa o seu "Anticristo" com as seguintes perguntas e respostas:
O que é bom? - Tudo aquilo que desperta no homem o sentimento de poder, a vontade de poder, o próprio poder. O que é mau? - Tudo o que nasce da fraqueza. O que é a felicidade? - A sensação de que o poder cresce, de que uma resistência foi vencida. 

No decorrer do livro consegue-se perceber que essas dúvidas e respostas são a base que sustenta o "Anticristo".

O que é bom? Deus é bom? Se é, então Nietzsche diz que Ele é bom porque desperta o sentimento de poder no homem, vontade de poder, o próprio poder! Ou seja, Deus é uma invenção do homem. Por que o homem inventou Deus? - Para se sentir mais poderoso, para subjugar outros, etc. Deus foi criado pelo homem para servir de arma para ajudá-lo no domínio dos "mais fracos".
O que é mau? O pecado é mau? Se é, então ele é considerado mau porque nasce da fraqueza. Ou seja, se Deus é bom e o homem o criou para gerar poder para si mesmo, o pecado é o inimigo de Deus, consequentemente, é o inimigo do homem, afinal, se vai gerar fraqueza, não é legal para os seres humanos. Mas o que considerar pecado? E aí os homens (sacerdotes) criam uma lista de coisas que são da natureza do homem mas que por serem mais fortes do que o homem, são consideradas pecado (nasce da fraqueza): Sexo, mentira, orgulho, violência, etc. (Esqueceram do sono, alimentação, necessidades fisiológicas, cansaço, etc.).
E o que é felicidade? A sensação de que o poder cresce, de que uma resistência foi vencida. Isso se parece com a proposta de salvação? Se sim, então foi criada dessa forma - pelo homem - para que ele se sentisse mais poderoso ao vencer algo que nasce de sua fraqueza. Como consequência, foi-se criado um céu - pelo homem - para que servisse de recompensa por ele ter conseguido "vencer o pecado". O céu seria mais uma invenção humana para dar fim ao pecado (fraqueza) e alimentá-lo com o sentimento de poder (bondade).

Para Nietzsche, céu, Deus, pecado, salvação, sacerdote (pastor e padre), bom, mau, bíblia, profecias, inferno, diabo, glória, etc. são coisas criadas pela mente humana para satisfazer um desejo natural de superioridade e auto satisfação. Precisa-se de um inimigo? Cria-se o diabo, o mau e o pecado. Precisa de um prêmio para quem vencer esses inimigos? Cria-se o céu, o bem, a salvação, a glória. Precisa-se de um manual de ajuda para vencer os inimigos? Escreve-se a bíblia. Precisam de alguém super poderoso que vai te recompensar e que vai te tornar igual a ele se você fizer tudo certo? Cria-se Deus. E quem ensina tudo isso? O sacerdote. Mas como ele sabe disso tudo? Bem, foi Deus que disse a ele. Tá, mas quem garante isso? A bíblia? Deus? O próprio sacerdote? 

Essa é a torre Jenga do Nietzsche. E aí? Como está a sua agora?


Série: Mexendo nas bases [Parte 4 (Final)]

Nietzsche ataca ferozmente o cristianismo e seus princípios. Argumenta que tudo não passa de uma invenção mesquinha de alguns homens para se beneficiarem às custas dos fiéis. Criaram obstáculos, ajudas, recompensas e um super herói igual ao que todo homem quer ser: super poderoso, inteligente, perfeito, grande, invencível, etc., e mudaram os nomes para pecado, escrituras, céu e Deus. E agora? O que resta?

Não podemos provar que os argumentos de Nietzsche são falsos ou verdadeiros. Mas também não podemos provar que os da bíblia são. Mas consideremos que a verdade está no que Nietzsche disse, o que nos resta?

Nossa fé está baseada totalmente em um livro? Nosso bom comportamento é fruto de um desejo de ser recompensado com um céu? Pecado é apenas uma necessidade humana  (assim como a alimentação ou o sono) só que a diferença é que alguém disse que isso é errado? O diabo é algo nada mais nada menos que foi criado para ser culpado pelos nossos erros? Deus é amado por nós porque Ele é a imagem e semelhança do que gostaríamos de ser? Será que é por isso que alguém escreveu que nós seríamos iguais a Ele? 

Quais são nossas bases? É só isso? Se é, Nietzsche jogou muito bem e nossa torre está caindo.

E se não existisse bíblia? Conheceríamos Deus? Se você responder que não, então você está dizendo que a existência de Deus, pra nós, depende da existência da bíblia. Dessa forma, Nietzsche está certo. Deus é apenas um personagem criado por um livro muito bem feito.
E se não houvesse pecado? Haveria necessidade de um céu? Se não há o que vencer, pra que se precisa de um pódio, correto?

Eu perguntei a alguém o que seria do mundo se a bíblia não existisse. Esse alguém me respondeu que acredita que as pessoas seriam como eram antigamente: adorando vários deuses e criando mais pra si baseado no que elas desejavam.
Mas você não acha que com essa resposta, Nietzsche contra argumentaria dizendo que é exatamente por isso que se inventou um único Deus? Pra fazer o que todo os outros foram criados para fazer! Com essa resposta, você está dizendo que Deus só é o que é por causa da bíblia. Você percebe que toda a base da nossa fé está na bíblia?

"Isso é errado, Eliab?" Claro que não. Afinal, realmente eu não conheceria a Deus, como conheço hoje, sem ela. Mas dizendo isso eu não estou dando razão ao que Nietzsche disse? De certa forma, sim. Mas a minha proposta para essa série é justamente essa: Fora a bíblia, o que poderia testificar nossa fé? Qual é o outro argumento que você tem para usar, para defender ou até mesmo para fortalecer sua fé além da bíblia? Como nós podemos enxergar Deus sem estar baseado nas escrituras? Como nós podemos fazer o bem sem achar que isso vai gerar um certo tipo de felicidade em Deus por eu ter feito isso e dessa forma serei recompensado?

Eu não quero excluir a bíblia com essa série. Eu não quero anulá-la. O que eu quero é, primeiro, mostrar que há pensamentos e argumentos que a refutam com facilidade. Como você pode confiar num livro que foi escrito por outros homens? Ah, eles foram inspirados por Deus! Jura? E quem disse isso? Bem, eles mesmos. Putz!

Entende?

Eu não quero que você queime sua bíblia agora. O que eu quero é que você possa buscar Deus além dela. Dessa forma você terá mais bases para sua fé. Eu já tenho minhas formas de chegar a Deus sem a bíblia, sem a influência dela. Mas não espere que eu entregue isso de bandeja aqui. Se for assim, vou estar fazendo igual aos sacerdotes que Nietzsche tanto destruiu. Descobrir Deus sem influências de outros, é, sem dúvida, a forma mais segura e mais pura de conhecê-lo. Você se arriscaria a isso?

Eu disse que essa série seria um tanto quanto incômoda. Mas espero que esse incômodo, se gerou isso em você, seja algo que te impulsione a parar, pensar, repensar e continuar sua vida, sua fé. E, assim como no Jenga, os pilares sejam recolocados de forma mais organizada e segura afim de não derrubar toda a torre. Não tente derrubar a torre do Nietzsche, afinal, foi ela que me ajudou a montar uma mais forte do que a que eu tinha. E agora eu tenho duas (e até mais) torres para jogar. Se eu consegui, você também consegue. É tudo uma questão de liberdade para se aventurar no redescobrimento de Deus.



Abraço,
Eliab Alves Pereira

Me diz com quem tu andas...

Essa semana estive conversando com uma amiga, acho que posso chamá-la assim, sobre algumas experiências que ela tem passado em sua vida de missionária (no sentido original da palavra). Mirjam é holandesa e está morando no Brasil há um bom tempo. Ela é casada com um amigo meu chamado Fábio (Júnior) - Não é o cantor. Eles faziam parte da junta missionária JOCUM (Jovens Com Uma Missão). Agora que estão morando em Natal, ao invés de serem do JOCUM, estão sendo JOCUM (como o Júnior costuma dizer).

Mirjam trabalha como voluntária no Hospital Infantil Varela Santiago com as mães de crianças internadas na oncologia (crianças com câncer). Ela também tem um trabalho de ajuda a Garotas de Programa em Ponta Negra. Ela e o Júnior ajudam um casal a distribuir sopa a moradores de rua no centro de Natal. E também têm um projeto de uma escola de inglês para crianças na Vila de Ponta Negra. O Júnior faz parte do GruSoC JovenSapiens e dá a maior força a todos nós em nossa missão. A Mirjam já marcou presença em uma de nossas ações e sempre está ajudando como pode. Se você quiser conhecer mais sobre o Júnior e a Mirjam, você pode visitar o site deles que explica direitinho seus projetos, sonhos, experiências, etc., você pode até entrar em contato com eles, se quiser. (Esse é o link http://familiasamen.net/pt/index_pt.html).

Como já falei no início, estive conversando com a Mirjam esses dias e é sobre isso que quero escrever. Depois de escrever eu acredito que não preciso comentar mais nada. É algo simples, objetivo e muito, mas muito reflexivo. Vamos lá!

Eu: Mirjam, me fala sobre o teu trabalho com as Garotas de Programa lá em Ponta Negra. 

Mirjam: Eu tento fazer algo baseado no relacionamento que eu consegui estabelecer com elas. Você sabe que nenhum trabalho desse tipo tem bons resultados se não for construído com relacionamentos. Elas confiam muito em mim e me contam muitas coisas. Há momentos que algumas experiências  são muito fortes e isso me ensina bastante. Uma vez o Júnior foi comigo mas elas não se sentiram muito confortáveis com ele por lá. Pelo fato de ele ser homem gera um desconforto pra elas e elas acabam se retraindo e tendo receio de conversar sobre a vida delas com ele por perto.

Eu: Eu li um livro de Philip Yancey recentemente (Pra que serve Deus?) e ele conta 10 situações da vida dele em que essa pergunta caiu com uma luva. Uma dessas situações foi quando ele foi convidado para palestrar em um congresso voltado a mulheres que caíram na prostituição. Há uma instituição nos EUA chamada RAABE (nome de uma prostituta na bíblia) que tem como objetivo acolher prostitutas que aceitam ajuda. O RAABE oferece cursos, empregos, abrigo, conforto, enfim, oportunidades e amor. Yancey se reuniu com algumas dessas mulheres antes do dia do evento para que pudesse conhecê-las melhor e saber em que terreno estava andando. Ele ressalta a confiança que elas tiveram nele ao contarem coisas bem intrigantes durante o papo. Coisa que o deixou surpreso. Como experiência depois desse evento, ele fala bem sobre a importância de estar junto do outro, de conversar, conhecer, analisar, contar sobre você também, ser amigo. Ele comenta sobre como é fácil mudar de ponto de vista sobre essas mulheres quando você tenta conhecê-las. Sem falar que é uma ótima oportunidade de conhecer a Deus. Uma frase que marca bem o livro é: "Deus está em todo lugar, cabe a nós torná-lo visível".

Mirjam: Eu também li um livro dele que se chama "Descobrindo Deus nos lugares mais inesperados", e ele fala muito sobre enxergar Deus em situações desse tipo. Ele consegue ser muito sensível a isso e eu aprendi a enxergar Deus nas mulheres com quem trabalho. Se relacionar com quem você quer ajudar é a melhor maneira de você ajudar o outro. Eu não posso chegar em frente ao motel onde as mulheres vão toda a noite e dizer que elas estão erradas e vão todas pro inferno. Isso não ajuda. Se elas estão erradas ou não, não cabe a nós julgar. O que precisamos, e elas também, é de aproximação, temos de entender o outro, conhecê-lo.

Eu: No primeiro encontro do JovenSapiens nós falamos sobre relacionamento. Em algum momento nós usamos como exemplo uma mãe que sempre defende o filho independente do que ele tenha feito. Nós observamos que ela faz isso não porque não enxerga a situação, mas porque ela ressalta o que ele tem de bom mesmo quando ele está errado. Ao contrário de nós, ela tenta não deixar que o erro apague o que ela conhece de bom no filho. Pra nós, desconhecedores do amor materno, qualquer erro é suficiente para esquecermos tudo de bom que existe no outro. E é aqui que entra o essencial: conhecer o outro. A mãe só pode ressaltar as coisas boas do filho porque ela conhece essas coisas. Nós não conhecemos o outro e quando vimos algo de ruim nele, vamos logo julgando. Se nós nos déssemos ao luxo de se aproximar, a situação seria bem diferente.

Mirjam: Pois é! Uma das mulheres com quem faço esse trabalho tem quatro filhos. Ou seja, ela não faz isso porque gosta. Ela faz porque tem de sustentá-los. Aí nós pensamos: "Tá, mas ela pode estudar e conseguir capacitação para um emprego". Mas olhamos por outro lado e vemos que se ela for estudar, até ela conseguir capacitação para trabalhar, a família fica sem sustento.

Eu: É uma situação complicada. Uma sinuca. Imagina como ela fica quando, além disso tudo, as pessoas a excluem por isso?!

Mirjam: É verdade! O que os outros pensam e fazem é algo que machuca muito. Eu já passei por experiências que me ajudaram a entender um pouco de como elas se sentem em relação a isso. No início eu me sentia envergonhada ao ir encontrá-las para conversar. Algumas pessoas passavam e ficavam olhando. E eu pensava: "Eles estão pensando que eu também sou prostituta". Isso me deixava com muita vergonha. Daí eu comecei a pensar da seguinte forma: "Bem, e o que aconteceu com Cristo? Quando ele andava com pecadores, sentava com prostitutas, comia na casa de cobradores de impostos; o pessoal pensava a mesma coisa sobre ele. Eles o julgavam ser igual aos excluídos. Mas ele fazia isso pelo bem dos necessitados. Ele não se importava com sua reputação, ele se importava com o próximo." Isso me ajudou a ver os olhares de quem está de fora de outra maneira. Não importa o que vão pensar de mim, o que importa é o que eu estou fazendo por quem precisa.

Eu: Aqui no Brasil nós temos um ditado que diz: "Me diz com que tu andas que eu direi quem tu és." Cristo e você provaram que isso não é verdade.

Mirjam: Pois é! Quem fala isso é quem prefere estar de longe falando ao invés de fazer.


PS: Obrigado, Mirjam!



Abraço,
Eliab Alves Pereira