O mau hábito da minha cachorrinha

Ontem (05/06/2011) eu briguei com minha cachorrinha de estimação. Ela tem um péssimo hábito de se coçar. Semana passada eu tava brincando com ela e vi que ela está cheia de feridas, tudo por causa dessa sua mania horrível. Sempre procuro algum carrapato ou pulga q esteja atormentando a coitada, mas o problema não é esse. Ela que pegou uma mania estranha mesmo.
Ontem eu falei: "Para de se coçar Raika! Parece que é doida. Num tá vendo que isso te deixa toda ferida não?" Lembro dela olhando pra mim como se eu fosse bater nela ou sei lá o que, talvez tenha se assustado por causa do meu tom de voz. Mas é pq eu fico muito aperriado quando a vejo se coçando, eu sei q aquilo vai ferí-la, por isso reclamo, mas mesmo assim ela faz. Depois, eu voltei a chamar a atenção dela pq ela voltou a fazer a mesma coisa.

Você concorda comigo que a coçeira é uma péssima companheira? Aquela sensação incômoda, sempre te obrigando a se livrar dela e que só para de te perturbar quando vc dá alguma atenção pra ela. Já reparou? Quando vc está fazendo algo que exija concentração sempre aparece aquele comichão na ponta do nariz, vc tenta ignorá-lo mas parece que ele fica pior a cada segundo e só sai dali quando você faz o que ele quer.

Agora me diz uma coisa. Você já reparou que o pecado não é diferente? Sempre que você está de boa com tudo e com todos, principalmente com Deus, aquele comichão sempre aparece. Aquela vontade de coçar sobe e desce de nível. Você sabe que não deve dar atenção mas parece que aquilo nunca vai acabar enquanto vc não fizer o q ele quer. Parece que tudo que você faz aumenta a vontade de coçar. E da mesma forma que você faz com a ponta do seu nariz; nós fazemos com o pecado não é verdade? Fazemos o que ele quer, o que ele estava nos obrigando a fazer.
Isso é uma situação muito curiosa. Se eu estivesse todo sujo, coberto de lama ou sejá lá do que for, a última coisa que iria incomodar meu corpo era uma coçeira correto? Talvez seja pelo fato de que meu corpo está tão sujo com outras coisas maiores e mais sujas que não aparece nem um simples comichão

Se eu estou totalmente afogado no pecado, não preciso me coçar já que estou sujo por inteiro, o diabo não precisa mais que eu me coçe. Já estou na dele. Engraçado como ele consegue nos arrastar pra uma poça de lama com coisas tão pequenas não é?
As tentações são iguais a uma oferta de chocolate a um chocólatra diabético. Ele sabe que não deve aceitar, mas se for tentado por muito tempo vai acabar aceitando. Mas essa decisão acaba piorando sua situação e o deixando cada vez mais longe de uma possível melhora.

E ai entra Deus, Ele está vendo que aquilo está acabando conosco, que nós mesmo estamos nos ferindo. E Ele se importa demais conosco para nos deixar numa situação dessa sem chamar nossa atenção. Talvez Ele sussurre pra você por meio da sua consciência, ou grite a ponto de te assustar por meio de uma catástrofe. Mas Ele sempre vai nos avisar sobre o que estamos fazendo. Muitas vezes nós vamos odiar isso, mas Ele vai fazer.

Eu imagino Deus olhando pra nós e dizendo: "Mermão, vocês têm o que na cabeça? Num tá vendo que isso tá acabando contigo não ô? Para com isso, eu tow aqui pra te oferecer alívio e você ainda insiste nessa burrada. Você só sente coçeira pq não Me escolheu ainda. Acha que Me escolheu mas ainda não fez isso da maneira correta."

Pecado é isso. Ele só precisa te incomodar um pouquinho para que vc dê atenção a ele. E a pior notícia que eu tenho pra dar nesse post é: Uma coceira não incomoda quem está limpo. Se sentimos algum incomodo é pq tem algo sujo por ai. E eu penso dessa forma: Se estamos em Cristo e Ele em nós, nós estaremos completamente limpos. Então, como algum comichão poderá nos incomodar se estivermos totalmente limpos?
Isso é um grande problema. Pessoas que pensam estar com Cristo mas na verdade não estão.
Se Cristo diz que com ele nós seremos totalmente purificados e libertos do pecado; mas nós ainda não somos assim, me perdoe, mas só não vou dizer que Ele mentiu. Somo nós que não estamos com Ele.
 Fazemos de tudo por Ele, mas sem a rendição total a Ele, nós não fizemos NADA!

Não pense que isso é normal e que acontece com todo mundo.

Na verdade, é normal sim. Mas, você realmente quer ser normal? Acontece com todo mundo? Sim! Mas você quer ser igual a todo mundo?

Precisamos ser diferentes pra podermos agradar quem nos faz diferente.

Lembre-se: O que é uma coçeira pra quem está jogado na lama? Mas eu conheço alguém que pode nos tirar dessa lama, nos limpar e nos livrar pra sempre desse tipo de incomodo. Jesus Cristo. Só Ele pode fazer isso. E mais uma coisa: Como alguém abandonado pra morrer em um pântano pode se limpar? Veja esse cara aew da foto? Como ele vai conseguir se limpar sozinho ai onde ele está? Desista. Você nunca vai conseguir se limpar sozinho, só Cristo pode fazer isso por você.

Nada que façamos vai nos deixar purificados o bastante pra Deus. Como podemos nos tornar algo que só Ele tem conhecimento do que é? Nosso padrão de perfeição não é o mesmo de Deus. Ele sempre vai querer muito mais do que podemos fazer. E já que não podemos ganhar essa corrida; o melhor a fazer é pedir pra que Ele nos leve junto com Ele. Não corra atrás Dele. Só pessa pra que Ele te carregue. Dessa forma, nos livraremos dessa coçeira infame.
 


Abraço,
Eiab Alves Pereira

Imagina Só> E se fosse Assim?> Sede meus imitadores

Sede meus imitadores

jesusnegao Uma das expressões do apóstolo Paulo que sempre me incomodaram foi sua afirmação enfática e repetida: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo.”
Sempre tive dificuldade para afirmar isto. Na verdade, acho muito presunçoso, talvez até mesmo arrogante, alguém fazer tal declaração.
Aceitá-la da boca de Paulo não me parece tão difícil. Afinal, ele foi um apóstolo, ouviu a voz do Senhor, suas cartas foram inspiradas e estão inseridas no Texto Sagrado, viveu como poucos uma vida de intensa consagração, serviço e dedicação a Cristo, comprometeu-se até a morte com o Reino de Deus.
Uma pessoa com as credenciais de Paulo poderia afirmar com certa segurança: “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo.” Mas como alguém, com minhas credenciais, consegue fazer tal afirmação?
Minha dificuldade não para aí, é um pouco mais grave. Se não consigo fazer uma afirmação assim por falta de coragem, convicção, por achar que não sou uma imitação confiável de Cristo, surge outro problema, certamente mais grave: se não imito a Cristo, a quem imito?
Sabemos que a vida não existe em si mesma, como uma realidade auto-suficiente, auto-criadora.
Fomos criados, gerados. Temos desejos e ansiedades, gostos e vontades, e tudo isso expressa nossa natureza, reflete aquilo que somos.
São nossos desejos que nos impulsionam, determinam escolhas, riscos e rumos. A vida é o reflexo de tudo isso, somos um espelho daquilo que desejamos.
O apóstolo Paulo, ao falar da imitação de Cristo, assume a natureza da imagem de Deus na qual fomos criados.
É a partir desta doutrina que ele afirma sua identidade e reage aos riscos da idolatria.
No Salmo 115, o salmista diz que aqueles que fazem, confiam e adoram ídolos tornam-se semelhantes a eles.
Refletimos aquilo que adoramos. O problema maior da idolatria não são os ídolos, mas a descaracterização daquilo para o que fomos criados.
Paulo, em sua carta aos romanos, descreve com clareza alarmante o estado deplorável dos homens que trocaram a glória de Deus e passaram a adorar outros deuses, ídolos e a si mesmos.
Esses homens, diz Paulo, perderam o juízo, a sanidade, tornaram-se loucos, insensatos, desumanos, depravados e perversos.
Reflexos daquilo que adoravam. Fomos criados para adorar Deus e refletir sua imagem. Isto nos ajuda a rever nossa própria identidade.
Paulo afirma que não pertence a si mesmo, que foi comprado por bom preço (1Co 6.20), que seu corpo é morada do Espírito Santo, que sua vida existe para glorificar Deus.
Ao dizer “sede meus imitadores…”, Paulo não está pretendendo ser melhor, mais santo, mais puro, mais correto do que os outros.
Não se coloca numa posição de destaque com a arrogância comum de líderes narcisistas. Ele apenas reconhece quem adora e diante de quem sua vida é vivida.
A doutrina da imago Dei é fundamental para uma espiritualidade cristã, bíblica e saudável.
Ela nos ajuda a levar a sério o pecado, que é, em última análise, a perversão da imagem, a deformação daquilo para o que fomos criados, a desumanização do ser.
Muitas vezes paramos de crescer porque esquecemos nosso destino, passamos a adorar outros ídolos, perdemos de vista a humanidade perfeita de Cristo, tornamo-nos reflexos de uma glória passageira, da nossa própria vaidade e egoísmo.
É uma doutrina que mostra que a vida cristã é dinâmica, e não estática. Caminhamos em direção a Cristo ou retrocedemos em direção à apostasia.
A compreensão da imago Dei também nos ajuda a construir uma espiritualidade mais pessoal e relacionai.
Ao dizer “sede meus imitadores…”, Paulo expõe sua vida, torna sua fé uma expressão pessoal e comunitária.
Ele convida a Igreja a olhar para as transformações que o Evangelho fez em sua vida.
Ele não é ó tipo de pensador que esconde a dinâmica da vida, ou do teólogo que se esconde atrás da academia.
A mente, para Paulo, não é um substituto para a vida. Ele se oferece como uma carta viva, um exemplo real.
Ele abre sua vida à comunhão e aos afetos. Ele sofre porque vive o que ensina, porque é sincero e verdadeiro em sua pregação.
O convite para imitá-lo é um convite para a comunhão, para andar junto, conhecer e ser conhecido, para seguir em direção a Cristo, amadurecer, amar, perdoar, crescer.
É assim que Paulo entende a dinâmica da fé, aexperiência com Deus, o significado da teologia e a importância da doutrina.
Para ele, tudo isso desemboca numa vida mais humana, mais verdadeira, transparente, pessoal e relacionai.
A imago Dei também nos ajuda a preservar a centralidade de Cristo em nossa experiência pessoal.
O propósito da espiritualidade cristã é o nosso crescimento em Cristo, nossa conformidade com Ele.
O propósito da oração, das Escrituras, dos sacramentos, da comunhão dos santos, da adoração, da vocação e da missão é o de nos tornar mais semelhantes a Cristo.
Ao afirmar “sede meus imitadores…”, Paulo rompe com qualquer forma de idolatria.
Uma vez que imita Cristo, significa que não adora nenhum outro deus, que não reflete nenhuma outra glória, que não espelha nenhuma outra realidade que não seja Cristo.
Para Paulo, a verdadeira experiência espiritual não consiste em sentir-se bem, provar sensações ou emoções arrebatadoras, buscar um ajuste social ou psicológico, mas em ser convertido e transformado por Cristo, em esquecer-se das coisas que ficaram para trás e seguir em direção ao prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus (Fp 3.13,14), em “chegar ao pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13).
Para Paulo, não chegava a ser nenhum absurdo afirmar: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo.”
Não havia nenhuma arrogância em suas palavras, nenhuma prepotência, apenas a certeza de que era a Cristo, e a nenhum outro, nem mesmo seus próprios interesses, que seguia.
Tinha a certeza de que sua vida refletia a glória de Cristo, seus sofrimentos, sua alegria e seus propósitos.
A segurança e a serenidade de que podia se expor, ser verdadeiro, pessoal, humano, afetuoso e simples em seus relacionamentos.
Talvez a dificuldade de muitos em fazer esta afirmação é que temos desenvolvido uma espiritualidade menos pessoal e mais institucional, burocrática, acadêmica, racional.
Buscamos mais experiências, informação, estruturas eclesiásticas, programas e sensações espirituais, e menos a Cristo e a transformação n’Ele.
Refletimos mais o mundo com suas ambições, ansiedades, temores e ambigüidades do que a Cristo com seu amor, graça, perdão e salvação.
“Sede meus imitadores como eu sou de Cristo” é a declaração daqueles que amam a Cristo, que seguem no caminho do discipulado, que não se interessam por nenhuma outra coisa que não seja Cristo e sua perfeita humanidade, que não desejam nada a não ser a comunhão com sua vida, sofrimento, alegria e glória.


Ricardo Barbosa de Souza

O grande vício


Existe um vício do qual homem algum está livre, que causa repugnância quando é notado nos outros, mas do qual, com a exceção dos cristãos, ninguém se acha culpado. Não existe nenhum outro defeito que torne alguém tão impopular, e mesmo assim não existe defeito mais difícil de ser detectado em nós mesmos. Quanto mais o temos, menos gostamos de vê-lo nos outros.
O vício de que estou falando é o orgulho. De acordo com os mestres cristãos, o vício fundamental, o mal supremo, é o orgulho. É por causa dele que o diabo se tornou o que é. O orgulho leva a todos os outros vícios; é o estado mental mais oposto a Deus que existe.
O prazer do orgulho não está em se ter algo, mas somente em se ter mais que a pessoa ao lado. É a comparação que torna uma pessoa orgulhosa: o prazer de estar acima do restante dos seres.
Como podem existir pessoas evidentemente cheias de orgulho que declaram acreditar em Deus e se consideram muitíssimo religiosas? Infelizmente, elas adoram um deus imaginário. Na teoria, admitem que não são nada comparadas a esse deus fantasma, mas na prática passam o tempo todo a imaginar o quanto ele as aprova e as tem em melhor conta que ao resto dos comuns mortais. Ou seja, pagam alguns tostões de humildade imaginária para receber uma fortuna de orgulho em relação a seus semelhantes.
Sempre que constatamos que nossa vida religiosa nos faz pensar que somos bons – sobretudo, que somos melhores que os outros -, podemos ter certeza de que estamos agindo como marionetes, não de Deus, mas do
Diabo. O diabo ri às gargalhadas. Fica satisfeitíssimo de nos ver castos, corajosos e controlados desde que, em troca, prepare para nós uma Ditadura do Orgulho. Do mesmo modo, ele ficaria contente de curar frieiras dos nossos pés se pudesse, em troca, nos deixar com câncer. O orgulho é um câncer espiritual: ele corrói a possibilidade mesma do amor, do contentamento e até do bom senso.
Se alguém quer adquirir a humildade, creio poder dizer-lhe qual é o primeiro passo: é reconhecer o próprio orgulho. Aliás, é um grande passo. O mínimo que se pode dizer é que, se ele não for dado, nada mais poderá ser feito. Se você acha que não é presunçoso, isso significa que você é presunçoso demais.

C.S. Lewis em Cristianismo Puro e Simples / Kleber Pessoa
Solomon1

Deus dói

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Mas quando eu acho que vou voar, vem logo uma idéia pesada, como uma âncora, me lembrando que eu sou só um mortal. Um mortal louco pra voar, preso ao medo de cair no chão. Irônico isso, né?
Eu fico pensando em João Batista. Aquele doido varrido, de roupas estranhas e hábitos ainda mais estranhos. Fico pensando em Jonas dentro da baleia, cheio de teimosias, crises, medos. Fico pensando em Noé no fim de um dia cheio de trabalho, com milhões de xingamentos e zombarias nas costas. Paulo com suas feridas, açoites, dores e perseguições. Pedro e seus três nãos, Pedro e seu “sim”. Eu penso em Davi que uma hora era ninguém, outra hora era rei. Davi com o rosto no chão, Davi chorando e sem comer por vários dias. Davi, o menor, o zuado. Eu também fico pensando em Ester, cheia de receios e dúvidas. Tendo que entender que a condição dada por Deus para estar onde estava era lembrar-se todos os dias da pessoa que ela nunca deixaria de ser. Ela era rainha mas aquilo nada tinha a ver com a coroa. Deviam ser dias estranhos dentro daquele palácio.
Todos esses pensamentos na minha cabeça me levam para a mesma conclusão: talvez esteja na hora de sofrer um pouco mais com Deus. Sofrer um pouco mais pelo o que eu desejo ser para Ele, para o que eu posso experimentar dEle, para então, ser de fato, alguma coisa mais real para mim, para Ele, e para quem está do meu lado.
Claro, não estou desabafando aqui nenhuma mensagem religiosa, recomendando que você ajoelhe no milho. Nada disso. Mas se você também parar para pensar, todas essas pessoas aí em cima conheceram Deus de perto porque com tudo o que viveram e passaram, não se deixaram iludir. Não perderam o foco. E o motivo pelo qual isso não rolou é muito simples: Eles sofreram.
A dor definitivamente é um segredo para conhecermos Deus mais a fundo. O problema, é que muitas vezes não entendemos o sinal da dor. Não acreditamos que o sofrimento possa fazer parte da vida de alguém que um dia vai morar numa terra onde não há choro nem lágrima e nem lamento. Mas aí fica a pergunta: Se eu sou salvo, por que eu tenho medo de morrer para algumas coisas? Se Deus é a minha alegria, por que eu evito alguns sofrimentos? Por que então não nos expomos de uma vez por todas para Deus? Por que evitamos tanto a lama na cara, se somos tão cegos quanto aquele cara da bíblia, que nem chegou a ver que Jesus havia misturado saliva com a terra para curá-lo?
Expor seus limites e fraquezas para Deus é muito mais do que um estilo de vida cristão. Não é uma frase de efeito. Não é só um refrão. É uma atitude que na maioria das vezes ninguém verá você ter. É uma experiência individual, intransferível e incomum. Entender o sinal da dor é para quem quer romper padrões de como ser feliz.
Na verdade, esses momentos são os momentos que Deus tanto espera, e que nós as vezes levamos em banho maria.
É por isso que para entrar na presença dEle (onde há de fato a cura), está escrito que é necessário ter ousadia. É preciso ter coragem para se abrir e entrar nesse lugar secreto onde só há você e Deus. Lá não há palpites alheios nem conselhos que você pode jogar fora mais tarde, caso não ache legal ou necessário. Deus sempre vai ter uma opinião relevante para tudo o que você faz. Não aproveitar a opinião de Deus é simplesmente abrir mão de algo que faça sentido nos dias de hoje. E essa é a parte louca do evangelho: se você está rasgado, você pode entrar na presença de Deus exatamente assim, e ainda pode se rasgar ainda mais. Essa é a ousadia. Deus não tem interesse em vitoriosos, mas deve ficar extremamente feliz com os corajosos. Aqueles que entendem que as vezes Deus dói, e que sua grandeza é muito maior do que uma definição só que possa ser dada à Ele.
Em outras palavras, Ele não aplica band-aid nos seus filhos. Ele lava com sabão, desinfeta e limpa por completo. Ele espreme feridas não porque é um Deus mau, mas porque não faz sentido algum viver de anestasias, quando você conhece a injeção da cura. Essa é a dor que faz você se sentir vivo.
Eu fico pensando nisso: A dor é a oportunidade que Deus tanto sonhou para que você pudesse conhecê-lo melhor. E conhecê-lo melhor não é uma exclusividade para as tardes de domingo na igreja. Não precisa ser num culto, não precisa ser quando tudo estiver resolvido para você. Mas é quando você está sozinho. Quando não há quem ore por você, quando não há conexão com a internet, quando você não tem com quem falar, quando seus motivos não convencem ninguém, quando você tem raiva do seu pastor, quando as letras da sua bíblia não fazem muito sentido. Essa é a hora de você ser sincero e trair as etiquetas do relacionamento tradicional com Deus. Quem sofre quase nunca se importa com modos, aparências e formatos. Quem sofre desaba, se derrama, se joga, se entrega.
A hora em que a sua decisão no mundo espiritual é feita você pode entender o que é não ter nada e ter tudo ao mesmo tempo. Mas andar nessa direção é uma escolha. Se você não andar, você nunca saberá como é esse lugar.
Noé construiu um barco quando nem havia chuva no planeta. João Batista era tido como um louco, Ester tinha conflitos, Jonas tinha medo. Davi tinha irmãos mais preparados e mais bonitos. Além disso, ele tinha perseguidores querendo matá-lo a cada momento, e para completar, um coração profundamente sensivel que acumulava angústias e questionamentos do tipo “Deus, por que você me abandonou?”
Paulo tinha a espera. Para ele morrer era lucro, mas ainda assim, tinha a espera, as coisas desta vida, os espinhos na carne. Pedro tinha que retomar suas escolhas.
Nós temos milhões de problemas, questões que não entendemos, erros que conhecemos muito bem e que fingimos não ver, pendências, descasos, roubos que assistimos todos os dias na nossa alma, no nosso corpo, no nosso espírito. Deus não menospreza nada disso. Ele não deixou um versículo sequer dizendo que seria fácil. Essa é a dica para você entender que sim, você vai sofrer, e não, você não poderá cuidar disso sozinho. Se Deus não fizesse você questionar tantas coisas, então Ele não teria o menor valor e a história de cura que ele tanto divulgou por aí não faria o menor sentido. Eu fico pensando em Marcos 15:37.


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Eu quero morrer

“Eu quero morrer”, quantas vezes eu disse essa frase. Quantas vezes planejei efetivar essa ação. Quantas cartas de despedida escrevi. Quantos momentos ponderei qual seria a morte mais dolorosa, a mais rápida, a mais fácil. Perdi as contas de quantas. Perdi as contas dos momentos sem conseguir sair da cama. Pode parecer exagero, mas só quem sente a dor emocional tão grande que destrói a sua força física, sabe o quão pesada e devastadora ela pode ser.
Durante muito tempo e em inúmeros momentos planejei realmente a minha morte. Nunca cheguei perto de finalizar. Passei a ver esse desejo de várias formas. No meu caso, já foi uma vontade profunda de culpar o mundo por algo que acontecia dentro de mim, já foi uma falta de visão, falta da sensação de “amor”, já foi medo por uma perda, medo pelo futuro… Um matiz indescritível de motivos que justificariam o ato para mim, mas não o justificariam para outros.
Hoje, tenho liberdade com muitas pessoas do meu círculo de convivência, e isso me fez des-cobrir muitas coisas. Des-cobrir, pois não só coisas novas apareceram, mas coisas que me tinham uma aparência mostraram-se, nitidamente, outras. Sempre me senti rejeitada, à margem, menos amada, a esquisita, a excluída e etc. Conversando com essas pessoas, vi que, em grande parte, essa sensação de rejeição era uma sensação minha (diria “não muito coerente”). Em um momento de expor situações e fatos, ficaram claras muitas demonstrações de afeto (e uma grande chatice da minha parte – o que é suficiente para afastar algumas pessoas). Independente de rejeições, essas não justificariam um suicídio, não a meu ver (hoje).
Confesso ter mentido demais, falado demais, vivido extremos demais, (muitos “de-mais”), e nesses momentos de extremos, os “eu quero morrer” também eram “demais”. Na minha busca incansável por justificativas, motivos, por aceitações, realizações, palavras, momentos, satisfações, afetos, uma frustração enorme aparecia. E não só pelos extremos ou pelas instabilidades ou quaisquer outras coisas, mas por que NADA era suficiente. Não tinham amigos suficientes, companhias suficientes, tempo suficiente, amor suficiente, cerveja suficiente, eu suficiente. Não tinha EU suficiente para suprir. Não restava eu, nem ao menos eu. E ai, o momento de me encontrar era no egoísmo profundo dos “eu quero morrer” (Egoísmo profundo, novamente ao meu ver).
Acho que muitos já pararam para pensar “como as pessoas ficariam se eu morresse?”. Como já disse, quantas vezes pensei nisso (também). E era uma cena boa de se ver: pessoas reunidas por minha causa, sentindo minha falta, lembrando de momentos bons…mas e se não fosse assim? E se não houvesse alguém para lembrar? O sofrimento gerado por isso era incomparável, e hoje é minha força. Se acho que ninguém se importaria, recobrem-me forças, por que mesmo que não chorem, quero fazer diferença, quero que ao menos meus pais tenham bons motivos para lembrar de mim. Não existe alguém desamparado, todos têm alguém ao lado, as pessoas só não estão a par disso. E digo isso por que muitos suicídios são “provocados” pela solidão. Muitos dos meus planos foram baseados nisso. Mas eu não estava sozinha, nunca estive. E não digo isso como um conselho de “auto-ajuda”, sim como uma verdade que encontrei nos piores instantes.
Alguém me disse e insistiu muito para me mostrar que somos movidos por relacionamentos. A pesar de todos os problemas, PRECISAMOS de pessoas. Os relacionamentos são nossa base, nossa sustentação. Não existe alguém suficientemente bom para viver completamente sozinho. E se consegue o fazer, geralmente não tem “vida longa”.
Eu preciso insistir: SE IMPORTE. Não digo isso só como alguém que já precisou de atenção, também como alguém que já se importou (e a gratificação por isso é incomparável). Falhei muitas vezes, sim… Entretanto pretendo, pelo menos, ajudar a entender que as pessoas não estão sozinhas. Realmente se importe, não deixe para outro abraçar, pois outro pode não chegar, e o abraço que alguém precisava não foi dado, o carinho necessitado não aconteceu. Geralmente as pessoas não querem muito mais que um bom ombro amigo, um carinho. AME. O amor move montanhas, move os amados, move os que amam…
A dor emocional que destrói a força física é terrível, sentir-se rejeitado é terrível, buscar extremos é terrível, não se encaixar é terrível, perder alguém é terrível, descobrir determinadas coisas é terrível, mas todos esses “terríveis” podem não ser “destrutíveis”. Uma companhia ajuda a passar por isso. O amor ajuda a passar por isso.
Encontrei várias companhias, desde estranhos que conheci aleatoriamente na rua, a meus pais. Muitos têm me ajudado a enfrentar esses “terríveis”. Mas eu tive que buscar… Tive que pedir ajuda, tive que aceitar que não viveria sozinha. Incrivelmente, também tive que me doar, tive que amar. E em todas essas idas e vindas, com companhias, sendo ajudada e ajudando… Descobri que, realmente, o único que sempre estará ao meu lado é Deus. Pode soar clichê, mas Ele é a melhor companhia. E quando eu comecei a contar com isso, confiar nisso e me dedicar a isso, até os outros relacionamentos tornaram-se mais fáceis. Sempre digo que não parei de sentir dor, não parei de sofrer, mas Ele é uma “melhor companhia” incrível, Ele ajuda a passar pelas situações como ninguém. Escolhê-Lo como “melhor companhia” não é simples, mas é para sempre.
Cabe a cada um optar.

Cy 
Solomon1

Não quero mais ser evangélico!

“Irmãos, uni-vos! Pastores evangélicos criam sindicato e cobram direitos trabalhistas das Igrejas”. Esse, o título da matéria, chocante, publicada pela revista Veja de 9 de junho de 1999 anunciando formação do “Sindicato dos Pastores Evangélicos no Brasil”.

Foi a gota d’água! Ao ler a matéria acima finalmente me dei conta de que o termo “evangélico” perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho (Boas Novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante – o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.
Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por “profissionais da fé”. Voltemos à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.
Chega dessa “diabose”! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada.

Voltemos ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam – em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome “meu”, mas, o pronome “nosso”.

Para que os títulos: “pastor”, “reverendo”, “bispo”, “apóstolo”, o que eles significam, se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo! Para que o clericalismo? Voltemos, ao sermos servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei” de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes – chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!
Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao “instruí-vos uns aos outros” (Cl 3. 16).

Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. “(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras “todo o Evangelho ao homem… a todos os homens”. Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que “acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos”, sem adulterar a mensagem.


O lutador

Há vários anos atrás, Paul Simon e Art Garfunkel nos encantaram com uma canção de um menino pobre que foi para Nova Iorque em sonho e caiu vítima da vida cruel da cidade. Sem dinheiro, tendo apenas estranhos como amigos, ele passava os dias “escondido, procurando os lugares mais pobres onde os mendigos vão, buscando pontos que só eles conhecem “.[1]
É fácil imaginar esse jovenzinho de rosto sujo e roupas velhas, procurando trabalho e não encontrando. Ele se arrasta pelas calçadas, lutando contra o frio e sonhando em ir para algum lugar “onde os invernos da cidade de Nova Iorque não me façam sangrar, levando-me para casa”.
O garoto pensa em desistir. Em voltar para sua cidade. Desistir — algo que nunca pensou que pudesse fazer.
Mas no momento em que pega a toalha para atirá-la ao ringue, encontra um boxeador. Lembra-se destas palavras?
No espaço vazio se acha um lutador profissional levando com ele cada golpe que que o cortou até que gritasse de ira e vergonha – “Vou embora, vou embora!” mas o lutador permanece mesmo assim.[2]
“O lutador permanece.” Existe algo magnético nessa frase. Ela soa autêntica.
Os que permanecem como o lutador são uma espécie rara. Não quero dizer necessariamente vencer, mas apenas permanecer. Ficar agarrado ali. Terminar. Não ir embora até que seja feito. Mas infelizmente muitos poucos de nós fazem isso. Nossa tendência humana é desistir cedo demais. Nossa inclinação é parar antes de cruzar a linha de chegada.
Nossa incapacidade de terminar o que começamos é vista nas menores coisas:
Um jardim com metade da grama cortada.
Um livro lido pela metade.
Cartas começadas, mas inacabadas.
Um regime posto de lado.
Um carro sobre cavaletes.
Ou se mostra nos pontos penosos da vida:
Uma criança abandonada.
Uma fé vacilante.
A pessoa que muda sempre de emprego.
Um casamento falido.
Um mundo não evangelizado.
Estou tocando em algumas feridas abertas? Há qualquer possibilidade de estar me dirigindo a alguém que esteja considerando desistir? Se estou, quero encorajar você a permanecer. Quero encorajá-lo a lembrar a determinação de Jesus na cruz.
Jesus não desistiu. Não pense, porém, nem por um minuto, que não foi tentado a fazê-lo. Observe como ele estremece ao ouvir seus apóstolos caluniarem e discutirem. Olhe para ele quando chora junto ao túmulo de Lázaro ou quando se lamenta ao agarrar-se ao solo de Getsêmani.
Ele jamais quis desistir? Claro que sim!
Essa a razão pela qual suas palavras são tão esplêndidas. “Está consumado.”
Pare e ouça. Você pode imaginar o grito da cruz? O céu está escuro. As outras duas vítimas gemem. As bocas zombeteiras se calaram. Talvez haja trovões. Talvez choro. Talvez silêncio. Jesus inala então profundamente, empurra os pés sobre o prego romano e grita: “Está consumado!”
O que estava consumado?
O plano da redenção do homem, longo como a história, estava consumado. A mensagem de Deus para o homem havia terminado. As palavras de Jesus como homem na terra não mais se repetiriam. A tarefa de escolher e treinar embaixadores terminara. O trabalho estava terminado. A canção fora cantada. O sangue derramado. O sacrifício feito. O aguilhão da morte fora removido. Tudo acabara.
Um grito de derrota? Dificilmente. Se as suas mãos não tivessem sido pregadas, ouso dizer que um punho triunfante teria sido levantado para o céu escuro. Não, não foi um grito de desespero. Mas de realização. Um grito de vitória, de cumprimento. Também um grito de alívio.
O lutador permaneceu. E agradecemos por tê-lo feito. Graças a Deus que Ele suportou.
Você está prestes a desistir? Não faça isso. Está desanimado como pai? Fique firme. Está cansado de fazer o bem? Faça apenas um pouco mais. Está pessimista em relação a seu emprego? Arregace as mangas e persevere. Não existe comunicação em seu casamento? Dê-lhe mais uma injeção. Não consegue resistir às tentações. Aceite o perdão de Deus e continue em frente. Seu dia está cheio de tristeza e desapontamentos? Seus amanhãs estão-se transformando em “nuncas”? A esperança é uma palavra esquecida?
Lembre-se, quem persevera não é aquele que não apresenta ferimentos nem está cansado. Pelo contrário, ele, como o lutador de boxe, está cheio de cicatrizes e sangrando. Estas palavras foram atribuídas a Madre Teresa: “Deus não nos chamou para ser bem-sucedidos, mas fiéis.” O lutador, como nosso Mestre, foi traspassado e está cheio de dores. Ele, como Paulo, pode ter sido até algemado e açoitado. Mas permanece, persevera.
A Terra Prometida, diz Jesus, aguarda os que perseveram.[3] Ela não é apenas para aqueles que alcançam a vitória ou bebem champanhe. Não, de modo algum. A Terra Prometida é para aqueles que simplesmente permanecem até o fim.
Vamos perseverar.
Ouçam este coro de versículos destinados a dar-nos poder para manter-nos firmes:
Meus irmãos, tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.[4]
Por isso restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; e fazei caminhos retos para os vossos pés, para que não se extravie o que é manco, antes seja curado.’[5]
E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.’[6]
Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.’[7]
Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.’[8]
Obrigado, Paul Simon. Obrigado, apóstolo Paulo. Obrigado, apóstolo Tiago. Mas, obrigado mais que tudo ao Senhor Jesus, por nos ensinar a perseverar, a nos manter firmes e, no final, a terminar.
1. “The Boxer” por Paul Simon (c) 1968.
2. Idem.
3. Mateus 10:22
4. Tiago 1:2,3
5. Hebreus 12:12,13
6. Gálatas 6:9
7. 2 Timóteo 4:7,8
8. Tiago 1:12.

Copyright © 2005 Editora Vida Cristã. Todos os direitos reservados. Reproduzido com a devida autorização.

O livro de Max Lucado do qual este capítulo foi extraído,
“Seu Nome É Salvador”, pode ser encomendado da Editora Vida Cristã

Fonte: Hermenêutica

Chore o quanto quiser

Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.
Se não quiser chorar, não chore.
Se não conseguir chorar, não se preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria.
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles.
Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ‘ Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !’
Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus.
Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.
Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . .
Sabe porque ? Porque… Ser seu amigo já é um pedaço dele!

Vinícius de Moraes
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Convite à loucura

No início da história cristã, Agostinho acusou: ‘Muitos que chegam perto do caminho da fé afastam-se amedrontados pela vida perversa dos maus e falsos cristãos. Quantos, meus irmãos, vocês acham que são os que querem ser tornar cristãos, mas são repelidos pelos maus modos dos cristãos?’.
Se aquele que está atrás da verdade descobre que os cristãos estão do mesmo modo ensimesmados, repletos de culpa, desesperados, inseguros de seus fundamentos e assombrados pelos mesmos medos – semelhantes a muitos que, no mar, se sentem num ambiente hostil e, assim, vêem-se desorientados -, não é de admirar que tal indivíduo não sinta atração pela igreja. Uma mulher de 23 anos, fazendo um trabalho acadêmico na Universidade de Paris, escreveu o seguinte:
Para mim, um cristão é ou um homem que vive em Cristo ou um impostor. Vocês, cristãos, não percebem que é com relação a isto – ao testemunho quase superficial que vocês dão de Deus – que nós os julgamos. Vocês deveriam irradiar Cristo. Sua fé deveria fluir pra nós como um rio de vida. Deveriam nos contaminar com seu amor por Ele. É assim, então, que Deus, que era impossível, se tornaria possível para o ateu e para aqueles de nós cuja fé oscila. Não podemos evitar o choque, o transtorno e a confusão que sentimos ao ver um cristão que seja, de fato, como Cristo. E não perdoamos quando ele não o é.

Brennan Manning – Convite à loucura

Solomon 1

Os direitos LGBTT e a fé cristã

Vou tentar escrever algo sobre esse assunto pois tenho visto muitos exageros e erros da parte protestante e da parte dos homossexuais. Com este artigo, não quero fechar a questão, mas clarear um pouco o debate.
A fé cristã sempre foi uma fé voltada para a história, para a vida e qualquer um.
Vemos na História vários exemplos de homens e mulheres de Deus intervindo para um direito que priorize a vida e a todos. A lei sobre a jornada de 8 horas de trabalho, por exemplo, foi proposta por um pastor evangélico na Inglaterra, os movimentos sindicais vieram dos cristãos, a profissão de enfermeira e a cruz vermelha também. Entre muitos outros exemplos, eles queriam fazer a diferença para todos.
No Brasil, o protestantismo lutou por muito tempo por um estado laico, por leis para todos os brasileiros!
A primeira igreja evangélica de brasileiros no Brasil, “Igreja Evangélica Congregacional Fluminense” colocou em seu estatuto que qualquer proprietário de escravos teria que alforriar seus escravos antes de se tornar um membro da igreja.
Antes, se alguém não fosse católico, não tinha DIREITO a carteira de identidade ou a ser enterrado em um cemitério.
As escolas evangélicas vieram para o Brasil com bolsas para os mais pobres, e eram acusadas de promíscuas por deixarem homens e mulheres estudarem juntos.
Mesmo os evangélicos não querendo que, em suas igrejas, os cristãos se divorciassem, lutaram dos anos 1930 aos 1960 pelo direito ao divórcio, pois a indissolubilidade matrimonial é um dogma Católico Romano que não podia ser imposto aos protestantes, judeus e outras crenças. O projeto do direito ao divorcio entrou câmara dos deputados por um deputado presbiteriano.
Depois disso tivemos uma terrível ditadura onde perdemos muito de nossa identidade protestante e passamos a pensar que política e cristianismo não são compatíveis. E vendo alguns políticos “evangélicos”, caio na tentação de quase acreditar nessa mentira também.
Hoje, vendo a luta do movimento LGBTT, lendo a PL122 e pensando no nosso compromisso cristão por uma sociedade para todos com as leis laicas, penso que o direito ao casamento (união estável), a herança e outros direitos civis dos homossexuais deveriam ser garantidos por lei e defendidos por nós protestantes, pois se sofremos um preconceito no passado por leis baseadas na fé dos “outros” que iam contra os nossos direitos, por que agora que temos voz garantida não vamos lutar pelos outros?
O Estado deve continuar sendo laico e as leis devem garantir o direito a todos, sejam eles LGBTT ou héteros. Nós evangélicos deveríamos ser a voz em defesa (dos direitos legais) dos homossexuais que são agredidos nas esquinas todos os meses em nosso país.
Se fizéssemos isso, não teríamos que enfrentar o problema de um projeto de Lei absurdo (PL122) que trata a homossexualidade não com uma escolha, assim como eu escolhi ser evangélico, e sim como algo natural como cor de pele, idade, nacionalidade.
Ninguém escolhe ser negro ou branco, ser idoso ou criança, índio ou africano, mas temos o direito, pelo Estado, de escolher a nossa religião e a nossa opção sexual. E ambas devem ser tratadas como uma escolha, onde podemos contestar, criticar, discordar, mas SEMPRE respeitar.
Esta lei tenta corrigir um erro histórico contra a classe LGBTT, mas cai em outro erro por querer amordaçar o direito de simplesmente falar: Eu não acho que a opção homossexual seja uma opção correta para a vida, mas respeito qualquer um que optar por este caminho”.
No fim das contas, não sei se toda esta discussão é porque nós cristãos não estamos fazendo a nossa parte e lutando para o direito de todos: o de escolher livremente a sua opção sexual e o de falar que discorda!

[Opiniões semelhantes a minha de pessoas que respeito muito. AQUI]

Marcos Botelho